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Archive for fevereiro 2009

Poucas vezes vi tanto interesse concentrado em uma única área da tecnologia quanto agora. Parece que tudo se resume a lançamentos de novos smartphones. Outras tecnologias necessárias para levar conectividade e aplicações onde são necessários, a custo razoável, parecem ter ficado em segundo plano. O 802.16 por exemplo, não se populariza. Agora eu leio por aí que será um serviço para nichos específicos. Por outro lado o 3G, caríssimo, está em todos os anúncios. Ora, pelo menos em teoria, as redes WiMax são a solução ideal para levar conectividade em áreas metropolitanas. Em teoria, e até que se apresente algum argumento contrário, são. Talvez o argumento não seja técnico, como freqüentemente ocorre, mas comercial. Por isso as operadoras vendem o 3G como a última palavra em conexão móvel. Embora ela possa até ser a melhor opção em algumas situações, na comparação de preço e especificações com o 802.16 as limitações são evidentes. Alguém deveria explorar mais a viabilidade desta alternativa.

Mas saindo do mundo dos protocolos para os pontos da rede, os dispositivos para acesso, no caso os celulares e smartphones, as novidades se sucedem em ritmo cada vez maior. O final do ano passado foi o momento do iPhone 3G e do primeiro Android. Agora a Microsoft, sempre correndo atrás do prejuízo, anuncia uma nova versão do Windows Mobile, a 6.5, que deve supostamente concorrer com os dois, e a Palm anunciou o seu novo celular, o Palm Pre, com novo OS. Ao lado disso temos as aplicações. Os mercados virtuais de aplicativos para smartphones me parece ser a melhor novidade dos últimos tempos na área de tecnologia. E os sites para celular parecem finalmente estar deslanchando. As pessoas finalmente parecem estar se acostumando a usar o celular para navegar, ainda mais porque as telas melhoraram, estão maiores, mais coloridas, aceitam toques… Em contrapartida a oferta de sites úteis também aumentou. Agora voltando à rede, temos que os smartphones se conectam hoje por 3G, os aplicativos virão por estas redes 3G e os sites também. Ou seja, é um ciclo que aponta para um serviço na mão das operadoras. Se elas não aproveitassem isto seria loucura.

Mas ainda assim a alternativa do 802.16 permanece, pelo menos em teoria. E é fácil imaginar como ela poderia se tornar rapidamente viável. Boa parte dos smartphones tem 802.11, o WiFi, como alternativa de conexão. Vide iPhone. Claro que achar um hotspot hoje em dia não é fácil, mesmo assinando um serviço pago. São restritos a aeroportos, hotéis e restaurantes. Contei uns 20 da última vez que entrei em um site de provedor do Rio de Janeiro. O problema do hotspot é o alcance muito restrito. São necessários muitos espalhados pela cidade para cobrir ela toda. A proposta claro que nunca foi essa, pois o WiFi é projetado para ser rede local. Agora basta imaginar que os smartphones, PDAs, netbooks e notebooks venham com o chip para 802.16 incluído. Uma das pontas já estaria pronta, com o mercado consumidor habilitado a acessar. Do outro lado os pontos de acesso poderiam ser gradativamente instalados, disponíveis a todos os usuários potenciais.

Um problema, para as operadoras, pode ser justamente os aplicativos. Ou melhor, um aplicativo em particular, o Skype. Ou algum cliente de VoIP similar. Se um desses se populariza nos smartphones ninguém mais faz ligação normal, nem local nem interurbano. Se o custo do MB trafegado pela rede MAN, 802.16, for significativamente mais barato que pelo 3G, quem utilizará esta última, seja para dados ou para voz? Ela acaba? Provavelmente não, mas os preços podem cair. Bom para o usuário. Leia mais sobre o 802.16 aqui no Wikipedia.

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