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Archive for fevereiro 2010

O vídeo a seguir mostra as características no novo Windows Mobile 7. Como digo sempre, não faço torcida, mas neste vídeo é clara a influencia do Android e do iPhone no design e na interface do Windows Mobile 7. Como dito no post anterior, é adotada interface semelhante à do Zune, o tocador de música da Microsoft. Já foi dito em outras fontes que na realidade serão duas versões de Windows Mobile 7, uma com a cara que está nesse vídeo, e outra para o usuário profissional, mas não tenho confirmação disso ainda.

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Quem acompanha tecnologia pela Web pode detectar um aumento de posts e artigos sobre o Windows Mobile 7 nas últimas semanas. Bem menor do que a movimentação que antecedeu outros lançamentos de sistemas para smartphones, é verdade, mas ainda assim maior do que a compatível com o atual market share do Windows Mobile. A única coisa que justificaria isso seria um produto revolucionário para reverter o abandono progressivo deste sistema. Pelas informações que se tem até agora, é exatamente isso que a Microsoft quer apresentar. Independentemente do sucesso do 7, as mudanças no sistema são tais que pode-se considerar que o “antigo” Windows Mobile realmente acabou, e trata-se agora de uma tentativa de começar quase do zero tanto em identidade visual quanto em mercado. Como aconteceu esta tragédia com o Windows Mobile, e o que poderá vir daqui pra frente?

Como ex-usuário do Windows Mobile 6.0 (para celulares) não tenho quase nada a reclamar dele no período que o utilizei, já que fazia tudo o que eu esperava de um smartphone na época e até mais. Era um aparelho com tecladinho fisico embaixo da tela, no estilo mais profissional, que tornava a digitação de SMS e pequenos emails finalmente suportável em um celular. Permitia ler emails (com restrições) e acessar a Web bem melhor que um celular comum. Foi o primeiro smartphone que eu comprei, e a tendência como consumidor seria ir na inércia e continuar usuário das próximas versões. Mas não foi o que aconteceu, e direi porque. Passado aproximadamente um ano, algumas limitações começaram a ficar evidentes: tela pequena demais, hardware lento, pouco software disponível, navegador Web limitado, etc. Isso é esperado, e neste momento é natural começar a prestar atenção ao mercado e fazer comparações entre a versão que sistema que eu tenho, as novas versões do mesmo sistema e as versões de outros sistemas. Eis a minha impressão da época.

A primeira coisa que se notava é a falta de unidade, de coerência de versões, do sistema. Eram duas versões, um para celulares (o standard), mais limitado, e outro para PDAs puros ou “PDAs com função de celular”. Este último tinha mais recursos e rodava em harwares melhores, só que funcionava como o antigo Windows Mobile baseado stylus, que eu acho muito chato para uso pessoal. Quer dizer, a impressão é de ficar amarrado a um sistema mais limitado apenas porque a versão melhor foi empacotada para uso profissional. A idéia de versões para públicos específicos faz sentido, mas se mal ajustada, como me parece ser este caso, deixa todos insatisfeitos. No caso acho que fizeram uma divisão artificial e mal feita das versões, apenas para reservar mercado da versão mais cara. A segunda coisa que notei foi a falta de agilidade para utilizar novas tecnologias, como telas touchscreen, acelerômetros, GPS, etc. E por fim, não vi iniciativa para tentar reverter a falta de programas. Cadê a loja online e as facilidades para o desenvolvedor independente? Resultado, a Microsoft praticamente me expulsou do Mindows Mobile (e acabei indo pro Android).

Parece que a Microsoft acordou, e as informações que me chegam agora é que eles estão atacando cada um destes problemas. A interface com o usuário vai mudar. Falam em padronizar com a interface do tocador de música da MS, o que nada mais é do que o que a Apple fez desde o início. Na verdade faz sentido, pensando no uso pessoal, mas e o uso corporativo? O engraçado é que a opção pelo mercado corporativo era clara até a versão 6, com uso de teclados físicos no formato do Blackberry ou de stylus como em PDAs. Mudar para inteface de tocador de música é uma guinada de 180 graus.

Além disso para o usuário final o sistema é a interface, quer dizer, o 7 na realidade tem cara de 1.0 … além disso alguns comentários falam que não conseguiram ainda eliminar por completo o uso do stylus da interface. Isso é difícil de acreditar, mas como são diversas fontes, pelo menos deve-se levar em consideração. De qualquer modo seria estranho um aparelho vir com um stylus acoplado só pra usar em algumas poucas telas.

Com relação ao hardware, não vejo dificuldades. Todos os recursos tecnologicos que falei antes já são padrões e os fabricantes podem inserir em qualquer projeto, bastando que o sistema operacional os acesse. Já no software, a MS criou uma loja online, mas quase não se houve falar dela. Talvez estejam aguardando o lançamento do novo sistema para relançar a loja. Mas a palavra “aguardar” é meio incompatível com tempos atuais, e vimos que perder o tempo pode ser fatal… E para os desenvolvedores, existe a dificuldade de ter que comprar uma licença do Visual Studio, já que a versão Express do 2008 não pode ser utilizada com o SDK do Windows Mobile. Ou seja, foram tímidos nas duas iniciativas, da loja e do engajamento de desenvolvedores. Outro ponto indefinido é como o sistema da MS vai se relacionar com o mercado de propaganda móvel, que já está sendo explorado agressivamente nos outros sistemas, e pode ser uma fonte de renda signicativa, maior que a venda de licenças do Visual Studio, de programas na loja virtual, ou talvez até de licenças do próprio sistema operacional! Parece que a MS quer competir com a Google sem endender as regras do novo jogo, utilizando o mesmo modelo de negócios da década de 80.

Não tenho torcida contra ou a favor do Windows Mobile, mas a idéia que me fica dele é: “legal, a MS deixou o sistema de smartphone que eu usava morrer, tive que abandoná-lo, e agora vai criar um novo”. Mas o que se aproveita da minha antiga experiência com o sistema? Que programas antigos eu ainda posso usar? E para quem já saiu do Windows Mobile e teve que converter contatos, links e etc. para outro sistema? Resumindo, a tragédia aqui foi perder o momento certo e deixar os usuários escaparem. Porque eu acho que recuperar um usuário antigo é mais difícil que conseguir um totalmente novo.

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O iPad, o próximo grande lançamento da Apple,  não é exatamente novidade. A começar porque a própria Apple já fez uma tentativa há muitos anos, em 1996, com um computador neste formato, o Newton. Ele não fez sucesso, em parte por causa do preço, em parte pelas limitações da tecnologia da época. Era um tablet operado por stylus, cujo conceito acabou se concretizando em parte no Palm, mas em formato de PDA, muito menor. A idéia do tablet poderia ser descrita como um computador de tamanho comparável ao de um livro e cuja tela operada por toque ocupa toda a parte frontal. Este conceito nunca saiu completamente de cena, sendo revivido de tempos em tempos pelas grandes empresas, mas sem se concretizar em um produto de massas. Mas tudo leva a crer que isto está prestes a mudar.

Na foto abaixo, o Newton da Apple, em 1996:

Finalmente, depois do sucesso dos e-readers (kindle e etc) e dos netbooks, ficou evidente que o mundo está pedindo por tablets, mas agora no sentido de um computador relativamente pequeno, mas não muito, com a finalidade principal de consumir conteúdo (sendo que livro é apenas um tipo de conteúdo). Abordei este assunto em um post de 14/10/2009 (“A Wikipedia no seu bolso” ) no qual um aparelho leitor de Wikipédia portátil acaba me levando de volta à ideia de um leitor universal de mídia e Web.

Finalmente temos o anúncio do iPad há algumas semanas, que não comentei de imediato apenas por achar que isto já havia sido feito à exaustão por todos os lados da Web. Uma análise das especificações do iPad que saiu nesta cobertura da imprensa pode se resumir em uma palavra: limitado. Sem multitarefa, sem USB, com 10 horas de autonomia… será que a Apple finalmente errou na mão? Parte desta estranheza poderia ser creditada à comparação do novo aparelho com os existentes. De fato, o iPad é considerado por muitos uma resposta da Apple ao Kindle. Logo, compará-lo com este é um impulso natural. Só que o Kindle, por ser dedicado à leitura, leva imensa vantagem nisso: a bateria dura dias e o e-paper é mais confortável (embora monocromático). Por outro lado, comparando o iPad com netbooks e outros tablets que já existem, rodando Windows XP, Vista e Windows 7, a falta de capacidade do iPad se sobressai. Concluindo, ou se considera o IPad como criador de uma nova categoria de equipamento, ou ele ficou em uma região bem desconfortável no meio de outras categorias, sem ser melhor em nada.

O importante no anúncio do iPad, independentemente do sucesso comercial que venha a ter ou não, é que chama a atenção para uma nova safra de tablets que vem por aí. O show que a Apple monta não tem rival em nenhuma outra empresa de tecnologia, mas correndo por fora a Dell e HP+Microsoft já fizeram seus anúncios de tablets. Novos processadores, menores, econômicos e integrando vídeo no chip, estão chegando para viabilizar este formato. Novos sistemas operacionais, como Android, Chrome OS e distribuições enxutas de Linux, se adaptam perfeitamente a este hardware “mais magro”. A dúvida é como o segmento dos tablets vai interagir com as outras categorias de computadores (de uso geral): se vai tirar mercado de outros formatos, e em caso afirmativo, de quais.

Os formatos que  atualmente competem (e se complementam) na computação pessoal são basicamente quatro: smartphones, netbooks, notebooks e desktops. Os PDAs praticamente sumiram para o usuário final, já que os smartphones assumiram suas funções. Os desktops estão sendo ameaçados pelos notebooks, mas nos usos em que estão se mantendo, ou seja, quando grande capacidade de processamento e conforto são essenciais, obviamente não concorrem com tablets. Em parte o mesmo argumento vale para os próprios notebooks, que ou são usados para trabalho e por isso precisam de teclado confortável de tela grande, ou são usados para substituir o desktop em casa, e precisam de capacidade semelhante ao que o desktop tem.

Já os smartphones tem a grande vantagem do tamanho mínimo, e por isso serem o equipamento que é sempre carregado por todo mundo em quase todas as situações. Celular hoje é tão onipresente como as chaves de casa e a carteira, e se eles realmente forem completamente substituídos por smartphones, então quase todo mundo vai ter pelo menos um destes últimos. O tablet não pode encolher muito, senão ele perde a vantagem da área de leitura (ou exibição) e vira um smartphone! Mas existem situações em que não se quer carregar nada nas mãos, um tablet vira um estorvo, mas um  smartphone tem lugar garantido no bolso da calça. Logo, smartphones não devem perder mercado nenhum para tablets.

Já alguns netbooks utilizados apenas para acessar a Web poderiam facilmente ser substituídos por tablets, se estes forem mais leves, mais práticos  e mais baratos. E a tendência é que sejam, pois não tem teclado nem partes móveis. Alguns netbooks usados para escrever textos levam vantagem (embora um tecladinho comprado à parte que se comunique com o tablet acabe com ela). Então os netbooks são os concorrentes diretos dos tablets. Os e-readers também seriam concorrentes, mas creio que os readers existentes (Kindle e etc) provavelmente terão seu preço reduzido para condizer com o fato de terem uma única aplicação, e também porque  sustentam o negócio de venda de livros digitais, e portanto poderiam ser subsidiados por esta venda e sustentados de volta por este negócio.

Não vejo mais empecilhos graves para que em um futuro próximo livros, revistas e parte dos netbooks sejam substituídos por equipamentos da categoria dos tablets. Neste cenário de futuro a maioria das pessoas carregará um tablet na mochila ao ir para o trabalho, como se fosse uma agenda, e o sacará no metrô para ler ou acessar a Web. Demorou, mas pode ser que agora o tablet finalmente ganhe as massas. Em parte graças ao iPad.

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