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fev/10

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iPad chega em nova tentativa de popularização dos tablets

O iPad, o próximo grande lançamento da Apple,  não é exatamente novidade. A começar porque a própria Apple já fez uma tentativa há muitos anos, em 1996, com um computador neste formato, o Newton. Ele não fez sucesso, em parte por causa do preço, em parte pelas limitações da tecnologia da época. Era um tablet operado por stylus, cujo conceito acabou se concretizando em parte no Palm, mas em formato de PDA, muito menor. A idéia do tablet poderia ser descrita como um computador de tamanho comparável ao de um livro e cuja tela operada por toque ocupa toda a parte frontal. Este conceito nunca saiu completamente de cena, sendo revivido de tempos em tempos pelas grandes empresas, mas sem se concretizar em um produto de massas. Mas tudo leva a crer que isto está prestes a mudar.

Na foto abaixo, o Newton da Apple, em 1996:

Finalmente, depois do sucesso dos e-readers (kindle e etc) e dos netbooks, ficou evidente que o mundo está pedindo por tablets, mas agora no sentido de um computador relativamente pequeno, mas não muito, com a finalidade principal de consumir conteúdo (sendo que livro é apenas um tipo de conteúdo). Abordei este assunto em um post de 14/10/2009 (“A Wikipedia no seu bolso” ) no qual um aparelho leitor de Wikipédia portátil acaba me levando de volta à ideia de um leitor universal de mídia e Web.

Finalmente temos o anúncio do iPad há algumas semanas, que não comentei de imediato apenas por achar que isto já havia sido feito à exaustão por todos os lados da Web. Uma análise das especificações do iPad que saiu nesta cobertura da imprensa pode se resumir em uma palavra: limitado. Sem multitarefa, sem USB, com 10 horas de autonomia… será que a Apple finalmente errou na mão? Parte desta estranheza poderia ser creditada à comparação do novo aparelho com os existentes. De fato, o iPad é considerado por muitos uma resposta da Apple ao Kindle. Logo, compará-lo com este é um impulso natural. Só que o Kindle, por ser dedicado à leitura, leva imensa vantagem nisso: a bateria dura dias e o e-paper é mais confortável (embora monocromático). Por outro lado, comparando o iPad com netbooks e outros tablets que já existem, rodando Windows XP, Vista e Windows 7, a falta de capacidade do iPad se sobressai. Concluindo, ou se considera o IPad como criador de uma nova categoria de equipamento, ou ele ficou em uma região bem desconfortável no meio de outras categorias, sem ser melhor em nada.

O importante no anúncio do iPad, independentemente do sucesso comercial que venha a ter ou não, é que chama a atenção para uma nova safra de tablets que vem por aí. O show que a Apple monta não tem rival em nenhuma outra empresa de tecnologia, mas correndo por fora a Dell e HP+Microsoft já fizeram seus anúncios de tablets. Novos processadores, menores, econômicos e integrando vídeo no chip, estão chegando para viabilizar este formato. Novos sistemas operacionais, como Android, Chrome OS e distribuições enxutas de Linux, se adaptam perfeitamente a este hardware “mais magro”. A dúvida é como o segmento dos tablets vai interagir com as outras categorias de computadores (de uso geral): se vai tirar mercado de outros formatos, e em caso afirmativo, de quais.

Os formatos que  atualmente competem (e se complementam) na computação pessoal são basicamente quatro: smartphones, netbooks, notebooks e desktops. Os PDAs praticamente sumiram para o usuário final, já que os smartphones assumiram suas funções. Os desktops estão sendo ameaçados pelos notebooks, mas nos usos em que estão se mantendo, ou seja, quando grande capacidade de processamento e conforto são essenciais, obviamente não concorrem com tablets. Em parte o mesmo argumento vale para os próprios notebooks, que ou são usados para trabalho e por isso precisam de teclado confortável de tela grande, ou são usados para substituir o desktop em casa, e precisam de capacidade semelhante ao que o desktop tem.

Já os smartphones tem a grande vantagem do tamanho mínimo, e por isso serem o equipamento que é sempre carregado por todo mundo em quase todas as situações. Celular hoje é tão onipresente como as chaves de casa e a carteira, e se eles realmente forem completamente substituídos por smartphones, então quase todo mundo vai ter pelo menos um destes últimos. O tablet não pode encolher muito, senão ele perde a vantagem da área de leitura (ou exibição) e vira um smartphone! Mas existem situações em que não se quer carregar nada nas mãos, um tablet vira um estorvo, mas um  smartphone tem lugar garantido no bolso da calça. Logo, smartphones não devem perder mercado nenhum para tablets.

Já alguns netbooks utilizados apenas para acessar a Web poderiam facilmente ser substituídos por tablets, se estes forem mais leves, mais práticos  e mais baratos. E a tendência é que sejam, pois não tem teclado nem partes móveis. Alguns netbooks usados para escrever textos levam vantagem (embora um tecladinho comprado à parte que se comunique com o tablet acabe com ela). Então os netbooks são os concorrentes diretos dos tablets. Os e-readers também seriam concorrentes, mas creio que os readers existentes (Kindle e etc) provavelmente terão seu preço reduzido para condizer com o fato de terem uma única aplicação, e também porque  sustentam o negócio de venda de livros digitais, e portanto poderiam ser subsidiados por esta venda e sustentados de volta por este negócio.

Não vejo mais empecilhos graves para que em um futuro próximo livros, revistas e parte dos netbooks sejam substituídos por equipamentos da categoria dos tablets. Neste cenário de futuro a maioria das pessoas carregará um tablet na mochila ao ir para o trabalho, como se fosse uma agenda, e o sacará no metrô para ler ou acessar a Web. Demorou, mas pode ser que agora o tablet finalmente ganhe as massas. Em parte graças ao iPad.

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