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jul/10

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N900: Um dispositivo único com prós e contras marcantes

Está previsto para agosto o lançamento oficial no Brasil do Nokia N900, um “tablet-smartphone”  que roda o Linux Maemo, e já sairam muitos reviews na mídia especializada sobre ele. Vamos ver um resumo dos fatos, e destacar alguns dos pontos positivos e negativos deste aparelho que não se encaixa bem em nenhuma classificação atual. Descubra aqui se o N900 é para você.

Primeiro falemos sobre sua origem, o que ajuda a entender muita coisa. O N900 é sucessor da linha N800, que não tinha função de celular, era apenas um tablet (pequeno…), ou computador de mão. No 900 foi inserida a função de telefone. Isso explica porque  em vários aspectos o aparelho parece mais fraco como telefone que a concorrência. Não se trata do hardware, mas deficiências do software. Sendo a plataforma do aparelho é uma versão do linux aberta, pode ser feito absolutamente tudo para preencher o que falta, mas não houve tempo ou empenho da Nokia para entregar todas as facilidades de um bom smartphone já de fábrica. Um exemplo sempre citado é o MMS, que não vem configurado, mas pode ser instalado pelo usuário. Uma outra desvantagem é o tamanho, pois ele é mais grosso e pesado que a média dos smartphones atuais. A bateria também é muito criticada, mas nisso ele está meio empatado com o resto, que em geral é muito ruim. Por causa disto tudo fala-se que o N900 não é um smartphone e sim um computador de mão com a função de telefonia. E isto é uma boa descrição que ajuda a entender as limitações e apreciar a grande vantagem do N900.

O lado positivo do N900 é justamente ser um computador rodando uma distribuição linux baseada no Debian. Como uma distribuição linux típica, ele é aberto e modificável. É possível desenvolver software para ele utilizando ferramentas já conhecidas pela comunidade do software livre. É muito fácil também obter permissão de root, sem precisar hackear o aparelho ou gravar uma nova ROM. Como se diz por aí, é quase impossível  “brickar”  o N900. No mundo Android, ao contrário, a situação é bem diferente. O Android se baseia em software livre, usa o kernel do linux, mas a versão para consumo é fechada: não se pode alterar o sistema operacional ou os aplicativos pré-instalados. O que é permitido nestes casos é fazer aplicações em Java adicionais, mas não alterar o funcionamento do sistema, ou sequer atualizá-lo. A consequência disso é que muitos celulares com Android rodam ainda a versão 1.5, muito atrás da 2.2 atual. Quem quiser a versão mais nova entra no mundo do hacking, correndo os riscos associados a isso. Já existem desenvolvedores independentes de versões alternativas de sistemas para celulares com Android, uma prática que está ficando cada vez mais popular. É uma alternativa sim, mas estas ROMs de terceiros e seus métodos de instalação não tem garantia nenhuma, e nem uma comunidade organizada por trás dando continuidade. Outra diferença do Android é que nele o linux foi fortemente alterado/customizado, e a forma de desenvolvimento interno para ele é bem diferente de uma distrubuição linux tradicional. No N900 conta-se que é possível instalar diretamente a versão Debian para ARM (não comprovei isso).

Não vou repetir aqui as especificações do aparelho, veja aqui neste blog (http://n900.aguilarj.com/?page_id=7) , que inclusive é uma boa fonte de informações sobre o N900 em português. O autor deste blog também desenvolveu um pacote de localização de  linguagem de português do Brasil, que pode ser facilmente instalado. Sim, pois a versão que será vendida oficialmente no Brasil pela Nokia virá apenas com português de Portugal. Isto é mais um exemplo da inconveniência do N900 para o usuário comum, ao ter que buscar e instalar  (ou fazer) um pacote para ter uma funcionalidade que devia estar pronta para uso, mas ao mesmo tempo demonstra o poder do N900 para o usuário especializado, que é justamente a facilidade de instalar ou fazer novas funções para a máquina. Dois lados da mesma moeda.

E por fim, um detalhe de hardware realmente negativo do N900 é que ele tem tela de toque resistiva e não capacitiva. A tela resistiva tem menos precisão, menos durabilidade, e deixa passar menos luminosidade, além de dificilmente implementar multitoque. Do meu ponto de vista é o problemas mais sério do N900 e que não pode ser contornado com a boa vontade do usuário. A vantagem da tela resistiva é que permite o uso do “stylus”. Sim, quase tudo na vida tem um lado positivo… E falando em entrada e saída, o teclado é bom, espaçoso, mas tem apenas 3 linhas de teclas. A tecla espaço fica no meio das letras. Até meu Dext tem um qwerty mais padrão, de quatro fileiras de teclas.

E por fim não se pode deixar de comentar o próprio Maemo. Como já disse ele é uma versão do Debian feita pela Nokia seguindo a filosofia do software livre. A má notícia é que ele será descontinuado, em favor de uma nova versão do linux que está sendo desenvolvida pela Nokia em conjunto com a Intel, o Meego. O Meego roda no N900, mas de novo, fica a cargo do usuário instalá-lo e mantê-lo. Um usuário final típico não vai querer “sujar as mãos” com isso.

Então, resumindo os prós e contras:

Prós: plataforma de desenvolvimento aberta baseada em linux, utilizando ambiente padrão do software livre. Hardware robusto e versátil.

Contras: tela de toque resistiva, sistema operacional padrão vai ser descontinuado, funcionalidades de telefonia abaixo da média, tamanho e peso acima da média.

Com uma lista de contras tão contundente será que vale a pena  comprar o N900? Bom, o fato é que se analisar bem, ele é o único no mercado na sua proposta, ele tem o monopólio. Se eu quiser um aparelho que faça o que ele faz, só ele mesmo: um computador de mão rodando linux aberto e com telefonia. Eu não compraria por exemplo um N800 que não serve para falar, mas com o N900 me arriscaria a utilizá-lo como celular e computador móvel ao mesmo tempo.

Quanto ao preço, o que foi divulgado pela Nokia para o mercado nacional é de 2.000,00 (versão sem subsídio de operadoras), mas já achei ofertas online de produto novo por 850,00, sendo que 1300,00 na média. Boa parte dos aficionados por tecnologia e gadgets já deve ter adquirido por esta via, e como o N900 é claramente  voltado para este público, acho que a Nokia foi extremamente LENTA em lançá-lo por aqui. Como não houve sequer localização para a lingua portuguesa do Brasil, e o produto será importado, não entendo o que justificou tanta demora.

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