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jul/10

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Android Eclair (2.1) já domina entre as versões ativas

O gráfico abaixo, retirado hoje do site “developer.android.com”, demonstra que a versão Eclair 2.1 do Android já tem mais de 50% das distribuições ativas. A mais antiga, a 1.5, está com pouco menos de 19%.

Interessante também é visualizar a evolução da substituição de versões no mercado, como no gráfico abaixo. Nele vemos a arrancada do Eclair a partir de 15/04/2010.

Outra observação interessante é que a participação do Froyo (2.2) já se mostra presente no gráfico, embora ainda pouco significativa. Mas a expectativa é grande, devido às melhorias que ele implementa, como a possibilidade de instalar apps no SD e o tethering nativo. Segundo várias fontes, existe intenção da Google em uniformizar as versões dos sistemas, acabando com a fragmentação que atrapalha tanto a vida dos usuários.  Mas vejo vários contratempos neste caminho, como por exemplo as customizações de fabricantes, como o Motoblur, além das customizações de operadoras. Estas customizações atrasam o lançamento da versão do SO específica para o aparelho que as implementa, pois precisam ser apdaptadas ao sistema puro que vem da Google, e depois testadas. Quanto mais adaptações e quanto mais integradas ao sistema, pior. Por isto o Milestone, sem Motoblur, já está com Eclair faz tempo, enquanto que o Cliq/Dext, também da Motorola, está penando no 1.5. Se o Motoblur compensa este atraso? Francamente, não acredito. Os widgets de fábrica do Motoblur para Twitter, Facebook, RSS e etc. são muito ruins, limitados e “bugados”.  E os dados do celular que mais interessam são sincronizados diretemente com a conta da Google. Recentemente fiz o teste de restaurar a configuração inicial e não ativar o Motoblur. Os contatos do Google estavam todos lá, assim como agenda, etc.

Em algum momento, faz poucas semanas atrás, achei que a solução para essa confusão era o Nexus One, que teria atualização mais freqüente por ser de responsabilidade da própria Google, de um modo semelhante ao que acontece na Apple que domina o SO e o hardware do iPhone. Realmente, o Nexus One recebeu o 2.1 e o 2.2 rapidamente, era uma esperança. Mas aí recebo a notícia de que a Google descontinuou o Nexus 1. Tive até muita sorte de saber disto antes de comprar.

Agora é encher-se de paciência e contar com a boa vontade dos fabricantes ou partir para ROMs não oficiais, feitas por desenvolvedores independentes (ver o site por exemplo o site modmymobile.com). A situação do usuário Dext que usa ROM oficial no Brasil é desalentadora: um sistema desatualizado, com bugs e com customizações estranhas: ter que engolir o Motoblur, os apps desnecessários (incluindo aquele demo inútil do Assasins Creed, que permite jogar poucos segundos!) e o widget de busca do Yahoo! e não do Google, etc.

E um último comentário sobre as ROMs de desenvolvedores independentes. Eu não tenho nada contra, e inclusive hoje é a única opção aos que querem se livrar das amarras impostas pelos fabricante e operadoras no que diz respeito ao SO. Já existem ROMs customizadas com sistemas 2.1 para o Cliq/Dext, enquanto que a versão 2.1 oficial ainda não tem previsão, se é que sai algum dia. Existem ROMs para todos os gostos. As estáveis, que passam a ROM oficial a limpo, retirando bugs e melhorando a performance, até as pioneiras, para quem quer experimentar as funcionalidades mais novas das últimas versões do Android. Quem entrar nos foruns especializados vai perceber que para algumas pessoas trocar ROM de celular virou um hobby.

Mas  pensando em nível de mercado: o usuário comum, aquele que quer apenas usar as facilidades oferecidas pelo smartphone  para agilizar sua vida, ainda é a esmagadora maioria. E para eles  é muito complicado, para não dizer assustador, fazer os procedimentos de atualizar o SO de um celular seguindo tutoriais de foruns. Para estes, o que funciona é o método oficial mesmo, OTA ou download de um executável direto do site do fabricante, executar e pronto.

Mesmo para um usuário mais interessado em tecnologia e mais habilidoso, pode ser muito demorado e excessivamente trabalhoso obter a informação necessária para atualizar uma ROM como se faz hoje no meio não-oficial. A informação está espalhada por diversos tópicos de diversos foruns. Cada forum tem uma parte da dela e todos estão potencialmente desatualizados, além de escritos sem o menor compromisso com a clareza. Realmente, reunir o conhecimento desta forma e realizar as atualizações com sucesso requer habilidade. Mas uma habilidade que poderia estar sendo empregada de uma forma mais eficiente se o material estivesse organizado e atualizado.

Outro aspecto negativo é que estes projetos são completamente pessoais, centrados em um único desenvolvedor e no máximo com a participacão de alguns amigos diretos, sem disponibilização dos fontes e dos procedimentos utilizados para criar a ROM. Um projeto pessoal destes morre assim que o desenvolvedor se desinteressa em levá-lo adiante. O que falta, na minha opinião, que que tais projetos fossem conduzidos mais ao estilo do software livre, com uma comunidade  por trás e acesso total e organizado aos fontes e à documentação.

Sobre a outra ponta, a dos fabricantes, surgiu no Engadget e em outros sites a notícia que o Droid X, novo lançamento da Motorola, não permitirá instalar ROMs alteradas, ou seja, instalação de firmware não certificado pela empresa. O aparelho usa a tecnologia eFuse da IBM, que altera os circuitos sob demanda, impedindo o boot se a ROM não for reconhecida. Inicialmente especulou-se que o eFuse queimaria definitivamente os circuitos do celular, “brickando” o aparelho para sempre. Depois saiu comunicado da Motorola em resposta, dizendo que a tecnologia de proteção não inutiliza permanentemente o celular, que ele retornaria ao funcionamento assim que uma ROM oficial fosse reinstalada. Ainda assim, impedindo a troca da ROM por uma customizada. Ainda não soube de experimento com o aparelho que comprovasse as versões acima, e muito menos de procedimento para contornar a proteção do eFuse e permitir alterar a ROM. O que é relevante aqui é que se esta iniciativa da Motorola se tornar comum entre os fabricantes, mesmo a prática atual de customizar o firmware  pode se tornar impossível (o que é o objetivo da Motorola) ou muito mais difícil e arriscada do que é hoje, deixando os usuários ainda mais dependentes das versões de sistemas dos fabricantes.

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