TAG | linux
13
N900: Um dispositivo único com prós e contras marcantes
No comments · Posted by admin in sistemas operacionais, tecnologia movel
Está previsto para agosto o lançamento oficial no Brasil do Nokia N900, um “tablet-smartphone” que roda o Linux Maemo, e já sairam muitos reviews na mídia especializada sobre ele. Vamos ver um resumo dos fatos, e destacar alguns dos pontos positivos e negativos deste aparelho que não se encaixa bem em nenhuma classificação atual. Descubra aqui se o N900 é para você.
Primeiro falemos sobre sua origem, o que ajuda a entender muita coisa. O N900 é sucessor da linha N800, que não tinha função de celular, era apenas um tablet (pequeno…), ou computador de mão. No 900 foi inserida a função de telefone. Isso explica porque em vários aspectos o aparelho parece mais fraco como telefone que a concorrência. Não se trata do hardware, mas deficiências do software. Sendo a plataforma do aparelho é uma versão do linux aberta, pode ser feito absolutamente tudo para preencher o que falta, mas não houve tempo ou empenho da Nokia para entregar todas as facilidades de um bom smartphone já de fábrica. Um exemplo sempre citado é o MMS, que não vem configurado, mas pode ser instalado pelo usuário. Uma outra desvantagem é o tamanho, pois ele é mais grosso e pesado que a média dos smartphones atuais. A bateria também é muito criticada, mas nisso ele está meio empatado com o resto, que em geral é muito ruim. Por causa disto tudo fala-se que o N900 não é um smartphone e sim um computador de mão com a função de telefonia. E isto é uma boa descrição que ajuda a entender as limitações e apreciar a grande vantagem do N900.
O lado positivo do N900 é justamente ser um computador rodando uma distribuição linux baseada no Debian. Como uma distribuição linux típica, ele é aberto e modificável. É possível desenvolver software para ele utilizando ferramentas já conhecidas pela comunidade do software livre. É muito fácil também obter permissão de root, sem precisar hackear o aparelho ou gravar uma nova ROM. Como se diz por aí, é quase impossível “brickar” o N900. No mundo Android, ao contrário, a situação é bem diferente. O Android se baseia em software livre, usa o kernel do linux, mas a versão para consumo é fechada: não se pode alterar o sistema operacional ou os aplicativos pré-instalados. O que é permitido nestes casos é fazer aplicações em Java adicionais, mas não alterar o funcionamento do sistema, ou sequer atualizá-lo. A consequência disso é que muitos celulares com Android rodam ainda a versão 1.5, muito atrás da 2.2 atual. Quem quiser a versão mais nova entra no mundo do hacking, correndo os riscos associados a isso. Já existem desenvolvedores independentes de versões alternativas de sistemas para celulares com Android, uma prática que está ficando cada vez mais popular. É uma alternativa sim, mas estas ROMs de terceiros e seus métodos de instalação não tem garantia nenhuma, e nem uma comunidade organizada por trás dando continuidade. Outra diferença do Android é que nele o linux foi fortemente alterado/customizado, e a forma de desenvolvimento interno para ele é bem diferente de uma distrubuição linux tradicional. No N900 conta-se que é possível instalar diretamente a versão Debian para ARM (não comprovei isso).
Não vou repetir aqui as especificações do aparelho, veja aqui neste blog (http://n900.aguilarj.com/?page_id=7) , que inclusive é uma boa fonte de informações sobre o N900 em português. O autor deste blog também desenvolveu um pacote de localização de linguagem de português do Brasil, que pode ser facilmente instalado. Sim, pois a versão que será vendida oficialmente no Brasil pela Nokia virá apenas com português de Portugal. Isto é mais um exemplo da inconveniência do N900 para o usuário comum, ao ter que buscar e instalar (ou fazer) um pacote para ter uma funcionalidade que devia estar pronta para uso, mas ao mesmo tempo demonstra o poder do N900 para o usuário especializado, que é justamente a facilidade de instalar ou fazer novas funções para a máquina. Dois lados da mesma moeda.
E por fim, um detalhe de hardware realmente negativo do N900 é que ele tem tela de toque resistiva e não capacitiva. A tela resistiva tem menos precisão, menos durabilidade, e deixa passar menos luminosidade, além de dificilmente implementar multitoque. Do meu ponto de vista é o problemas mais sério do N900 e que não pode ser contornado com a boa vontade do usuário. A vantagem da tela resistiva é que permite o uso do “stylus”. Sim, quase tudo na vida tem um lado positivo… E falando em entrada e saída, o teclado é bom, espaçoso, mas tem apenas 3 linhas de teclas. A tecla espaço fica no meio das letras. Até meu Dext tem um qwerty mais padrão, de quatro fileiras de teclas.
E por fim não se pode deixar de comentar o próprio Maemo. Como já disse ele é uma versão do Debian feita pela Nokia seguindo a filosofia do software livre. A má notícia é que ele será descontinuado, em favor de uma nova versão do linux que está sendo desenvolvida pela Nokia em conjunto com a Intel, o Meego. O Meego roda no N900, mas de novo, fica a cargo do usuário instalá-lo e mantê-lo. Um usuário final típico não vai querer “sujar as mãos” com isso.
Então, resumindo os prós e contras:
Prós: plataforma de desenvolvimento aberta baseada em linux, utilizando ambiente padrão do software livre. Hardware robusto e versátil.
Contras: tela de toque resistiva, sistema operacional padrão vai ser descontinuado, funcionalidades de telefonia abaixo da média, tamanho e peso acima da média.
Com uma lista de contras tão contundente será que vale a pena comprar o N900? Bom, o fato é que se analisar bem, ele é o único no mercado na sua proposta, ele tem o monopólio. Se eu quiser um aparelho que faça o que ele faz, só ele mesmo: um computador de mão rodando linux aberto e com telefonia. Eu não compraria por exemplo um N800 que não serve para falar, mas com o N900 me arriscaria a utilizá-lo como celular e computador móvel ao mesmo tempo.
Quanto ao preço, o que foi divulgado pela Nokia para o mercado nacional é de 2.000,00 (versão sem subsídio de operadoras), mas já achei ofertas online de produto novo por 850,00, sendo que 1300,00 na média. Boa parte dos aficionados por tecnologia e gadgets já deve ter adquirido por esta via, e como o N900 é claramente voltado para este público, acho que a Nokia foi extremamente LENTA em lançá-lo por aqui. Como não houve sequer localização para a lingua portuguesa do Brasil, e o produto será importado, não entendo o que justificou tanta demora.
2
Ubuntu 10.10, Maverick Meerkat, já está em alpha 2
1 Comment · Posted by admin in sistemas operacionais
O tempo do software livre não para, a marcha da evolução do linux continua incansavelmente, e para quem gosta de novidades, isto é um prato cheio. Parece que foi ontem que eu estava atualizando meu(s) ubuntu(s) para o 10.04 (mais precisamente, fazem 2 meses) e já temos a segunda edição, a alpha 2, da versão seguinte do Ubuntu, a 10.10 Maverick Meerkat. A versão alpha 1 saiu 3 de junho. A aplha 2 foi ontem, 1 de julho, e a próxima, alpha 3, será 5 de agosto. Ao contrário da 10.04, que eu acompanhei desde o início na máquina principal de casa, esta só vou instalar se tiver tempo de montar um PC separado só para isto. Para quem ainda não vivenciou este processo de pré-lançamento, neste período o fluxo de atualizações e alterações é altíssimo. Para quem como eu já usa o linux no dia-a-dia, colocar isso na máquina de uso geral pode ser impactante. Não só pelas possíveis instabilidades, mas pelo próprio tempo e volume de download. Acho que no 10.04 baixei o sistema operacional umas 10 vezes, de tanta atualização.
Mas é muito interessante ver como a próxima versão vai ficar, constatar novas funcionalidades sendo acrescentadas, e quem quiser pode se envolver verdadeiramente no processo, testando, reportando bugs, etc. Para quem quer embarcar na próxima versão, a recomendação é montar uma máquina dedicada a isso, talvez usando aquelas peças que ficaram dos upgrades anteriores… Mas só que não podem ser muito antigas também. Chega a notícia de que a 10.10 vai eliminar o suporte à arquitetura i586. Isso equivale a grosso modo ao Pentium 1 e ao AMD k6. São máquinas de mais de 10 anos de idade, e caso tenham sobrevivido até agora, podem ser alocadas a outras funções que não a de ser o desktop principal.
De posse da máquina de testes, o próximo passo e ir no site oficial da versão 10.10, que tem todas as informações e instruções necessárias, bem como o link de download do ISO. Tal como nas versões anteriores, pode-se também utilizar o comando “$ update-manager -d” numa instalação pré-existente para baixar a versão alpha, mas de novo, não recomendo fazer isso no PC que está usando para outras coisas. O link da 10.10 é:
http://www.ubuntu.com/testing/maverick/alpha2
E por fim, veja as datas previstas das próximas edições
5 de agosto: Alfa 3
2 de setembro: Beta
30 de setembro: release candidate
10 de outubro: Versão final
Cabe lembrar também que a versão atual do Ubuntu, a 10.04, é uma LTS, long term support, e por isso os usuários corporativos que a utilizam poderão considerar seriamente a necessidade ou não de fazer o upgrade para o Maverick. De um modo geral, se não houver alguma nova funcionalidade na nova versão extremamente necessária, o trabalho de atualização, que nas empresas envolve testes de homologação e custos adicionais, pode ser evitado. Já os usuários pessoais, mais especificamente os viciados em novidades, eu não farei comentário semelhante, pois seria inútil …
e por falar nisso, será que me falta alguma peça para montar o PC de testes?
A revista no Easy Linux brasileira passará a se chamar “Ubuntu User”, mantendo a numeração anterior da Easy Linux, ou seja, a primeira já será a número 19. A revista Ubuntu User já existia internacionalmente, eu procurei o site. É interessante notar que a Easy Linux já dedicava grande parte do seu conteúdo ao Ubuntu, refletindo o fato desta ser realmente uma das distribuições mais “easy”. A mudança de nome só vem formalizar este fato, e agora o foco deve ser ainda mais no Ubuntu. Vejo um lado positivo nisso, que é o Ubuntu se consolidando como opção mais predominante para o usuário iniciante, o que elimina uma série de frustrações destes quando tentavam começar no Linux com distribuições mais complicadas, sem sucesso. Outra vantagem é que estes usuários que estão usando a mesma distribuição podem trocar mais informações entre si, fortalecendo uma cultura de uso do sistema. Ver na tela abaixo a chamada na revista Linux Magazine (print screen do PDF).
O lado meio preocupante é que, apesar de ser usuário do Ubuntu e acabar de defender este sistema no parágrafo anterior, não gostaria que ele obtivesse a supremacia total entre todas as distribuições Linux, sufocando as demais e acabando com a diversidade de distribuições que atualmente ainda existe no mercado Linux. Do contrário lentamente o mercado retornaria ao controle total por uma só empresa, acabando com a concorrência, com a competição e reduzindo a qualidade e a liberdade de escolha dos usuários.
22
Ubuntu 10.04 LTS (lucid lynx) quase na versão final
No comments · Posted by admin in sistemas operacionais
Eu não disse nada aqui até agora, mas já estou há quase um mês usando o Ubuntu 10.04 LTS, lucid lynx (o “lince lúcido”?
curiosidade: nunca me dei conta disso, mas acabei lendo em algum lugar que o codinome das versões do Ubuntu tem uma regra de formação: são duas palavras, um nome de animal e um adjetivo, sendo que as duas começam sempre com a mesma letra, que por sua vez é um sequêncial incrementado a cada versão, em ordem alfabética. Ou seja a próxima versão será um aninal que começa com M e com uma qualificação idem … ). A versão 10.04 é uma LTS, para quem não sabe, com tempo de suporte extendido. Isso faz sentido para empresas em que se deseja mais estabilidade no parque instalado. Para mim não fará diferença, pois provavelmente pegarei a versão 10.10 assim que sair. Na verdade, e não recomendo isso a ninguém, estou usando o 10.04 desde que era alfa (pré-beta. Agora já está em release candidate, pós-beta, bem estável), o que é obviamente uma temeridade. E o pior é que deu pra usar sem maiores sobressaltos. O Ubuntu em alfa é melhor que muito SO sendo vendido em prateleira. Uma última curiosidade sobre minha experiência com o Ubuntu antes de comentar esta versão, é que desde o 8.04 eu não gravo uma mídia da distribuição. De lá pra cá estou apenas atualizando uma versão após a outra pela internet (8.10, 9.04, 9.10 e agora a 10.04). Isso além de prático é ecológico, são menos CDs descartados no meio ambiente… Mas assim que sair a mídia final do 10.04 pretendo gravar o CD para ter uma cópia mais atual como segurança. A seguir alguns poucos comentários sobre a nova versão. Não é um review completo, que devo fazer em algum post futuro.
Duas impressões já no boot inicial: a primeira que ele ficou ainda mais rápido. Creio que a Canonical deve ter uma equipe pesquisando obsessivamente formas de otimizar o boot e o shutdown (sim, este também está muito mais rápido!). A segunda coisa impossível de não notar é o esquema de cores default, variando de lilás, roxo e rosa, com detalhes em branco e laranja. Gosto não se discute, mas acho que posso pelo menos dizer que este esquema não é nem um pouco neutro. Pela primeira vez me sinto tentado a personalizar o visual no boot… Mudam alguns aplicativos, senti falta especialmente do gerenciador de HDs que comentei na versão anterior. No Gnome não percebi muitas diferenças. A principal foi que colocaram os ícones de controle da janela do lado esquerdo (os botõezinhos de minimizar, maximizar e fechar)! Isso realmente gerou um certo desconforto no início, mas agora acostumei. Mas fico pensando em qual foi a vantagem de contrariar um costume tão arraigado como botões de janelas no lado direito…
Outra coisa que se nota rapidamente é a integração com mensagens instantâneas no painel de cima, perto do botão de desligar.
Outras coisas que são apregoadas como vantagens do 10.04, mas que não tive oportunidade de verificar, são um suporte melhor aos drivers de vídeo (no meu caso o conjunto GeForce 8800 GTX e Ubuntu já me parecia bem afinado, usando drivers da nVidia), e falam de uma loja virtual de músicas no estilo da Apple Store, mas que ainda não achei na versão beta (mas também não procurei com afinco, pode não estar habilitada ou estar associada ao Ubuntu One, que eu não usei, mas de qualquer modo não é feita muita propaganda dela na interface). O Ubuntu One continua (sendo ignorado por mim, mas isso não significa nada, pois simplesmente não tive a combinação certa de tempo/necessidade para utilizá-lo), e esta loja deve ser mais uma tentativa de obter receitas utilizando um SO gratuito. Ah, e o kernel está em the 2.6.32-21.
E uma última dica: no meu caso, não sei se por ser uma versão beta, na instalação (do upgrade) foi retirada a permissão de administrador do meu usuário normal (não root). Só percebi quando tentei montar um pendrive e ele só montava como read-only. A solução foi entrar como root e habilitar novamente as permissões do meu usuário comum. A dica é ter certeza de possuir a senha de root antes de fazer o upgrade, só por segurança.
Mais detalhes nesta página do site oficial do Ubuntu:


