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Em artigo anterior (do dia 22/08) noticiei aqui a mudança de status no cronograma da Motorola para atualização do Dext no Brasil, que não está mais prevista, e minha decisão de arregaçar as mangas e fazer a atualização eu mesmo. Utilizei naquele momento a versão Eclair2Cliq beta 1, mas fiquei apenas dois dias com ela, apesar de em geral ter gostado muito, pois achei um bug no telefone. Meu objetivo é utilizar este aparelho diariamente, não apenas como laboratório de testes, e este único bug tornou o uso desta ROM impeditivo, afinal o uso de telefone (ainda) é uma função básica de um smarpthone. Além disso, a falta do Bluetooth e sensor magnético também incomodavam um pouco. Mudei então para outra versão de ROM com o sistema Android 2.1, que resolvia o problema do telefone, do Bluetooth e outros, a “adlxmod 2.0″, desenvolvida por A. Dumont. Estou utilizando desde o dia 24/08, e até agora vendo muita vantagem na troca da 1.5 original por esta. O problema que restou foi a ausência do acelerador 3D e alguns travamentos usando o market, que não achei tão impeditivos.

Farei um breve review desta ROM a seguir. Mas antes vejamos o que aconteceu neste meio tempo com relação às atualizações oficiais. Em seguida ao anúncio do Dext, a Motorola mudou também o status do Milestone na “América Latina e México” para “não receberá atualização”, no caso do Milestone para a versão 2.2. Isto provocou revolta entre usuários e campanhas pelo twitter, como o #motofail e outras. A repercussão negativa fez a Motorola voltar atrás, apenas para o Milestone, e recolocar o status dele para “em avaliação”. Mas não foi suficiente para passar um status  igual ao do Droid (o Milestone nos EUA), que creio ter sido o motivo maior da indignação. E além disto, o Dext continuou sem atualização prevista na AL. Diante disso, concluo que o Dext, apesar de ter um hardware razoável como já disse antes, já foi realmente abandonado pela Motorola em termos de software,  que nem sequer cogita o 2.2 para ele, e ainda nega aqui no Brasil o 2.1 que o Milestone já tem faz tempo. A minha decisão de atualizar para 2.1 tomada antes me pareceu  então a melhor saída. A defasagem entre o Milestone e Dext agora é definitiva.

De agora em diante a minha perspectiva com o Dext é apenas de buscar ROMs com Android 2.1 cada vez mais estáveis e com menos bugs. Creio que dificilmente  acontecerá um Android 2.2 para o Dext, pois a Motolora teria que repassar a parte proprietária do código. Lembrando que a 2.1 só se tornou viável devido a vazamentos de códigos fonte da Motorola que foram recebidos por desenvolvedores independentes. Além disto, o tamanho da comunidade de desenvolvedores do Dext tende a diminuir. Depois de um ano do lançamento do Dext, muitos desenvolvedores de mods para ele estão migrando para aparelhos mais novos ou mais amigáveis ao programador, como os da HTC, que dizem, libera o código fonte de drivers depois que abandona as atualizações.

Mas voltemos à “adlxmod 2.0″  que estou usando a quase 10 dias. É uma ROM com Android 2.1 e versão atualizada do Motoblur. O uso do Motoblur pode ser evitado pulando o processo de registro logo depois do boot inicial (tecla menu). Eu acabei registrando para ver como estava, e mesmo com ele o aparelho ficou bem mais rápido e eficiente que com a 1.5 Claro + Motoblur antigo.  Já virei esta ROM do avesso, e só não funciona o acelerador 3D.  A bateria dura 3 vezes mais que a 1.5 original da Claro  (agora eu só carrego de manhã quando acordo até sair, antes eu deixava carregando a noite toda e depois na USB do PC do trabalho direto). Também voltei a usar os widgets do Twitter, Facebook (para deixar claro, os widgets avulsos das respectivas empresas, obtidos do Android Market, e não os do Blur) e do Engadet, que tinha deixado de usar para economizar bateria, e religuei a atualização dos aplicativos do Google, como email e contatos. Ou seja, finalmente dá para usar o Dext com a finalidade para o qual foi projetado, ou seja, manter-se atualizado nestas redes sociais. Não estou usando os Widgets do Motoblur para isto, apesar da melhora geral, porque ainda são bem mais limitados que os das próprias redes ou mesmo que os de terceiros (como o Seesmic, Tuitteur e o Twidroid para o twitter).

Mas o Motoblur tem a vantagem de fazer melhorias da interface que acho boas, como os botões de telefone e contatos. E o número de áreas de trabalho subiu para 7, podendo ser navegadas diretamente por meio dos ícones que aparecem no rodapé. Muito bem pensado. Além da interface do Motoblur vem pré-instalado no adlxmod 2.0 um outro ambiente de interface chamado Launcher Pro, que também modifica os botões do rodapé para inserir atalhos (uma boa opção ao Android puro sem Motoblur), além de mais widgets e papeís de parede, entre outras funcionalidades. Como o Launcher Pro pode ser usado junto com o Blur, chaveado por meio do botão central (toque simples chaveia para o Motoblur, segurando mostra as últimas aplicações), pode-se ter no total 10 áreas de trabalho. Para mim ficar trocando a todo momento o ambiente de interface é meio confuso, e acabei padronizando em usar apenas a interface padrão do Motoblur mesmo,  usando o Launcher Pro apenas para um ou outro teste. Ainda sobre a área de trabalho, o que também não está disponível são os papéis de parede animados que vem no 2.1 do Nexus One…

Quanto à experiência de uso em geral, o arrastamento da tela agora é preciso e flui corretamente. Não me dá mais vontade de tacar o aparelho na parede (nem sei como ele sobreviveu com o 1.5). Os cliqs na tela também falham menos, isto sempre comparando com a ROM original da Claro. Acabaram aquelas “áreas mortas” na tela que não respondiam. Outras coisas boas desta ROM é o modo root seletivo (superusuário) para cada aplicação, bem mais seguro, widget de pesquisa do Google, e o Youtube finalmente funciona. Outra feature legal é que o player automaticamente mostra a letra das músicas. O mais importante, mesmo com o Motoblur, a performance e consumo da bateria estão satisfatórios. Mas também não posso dizer que não há bugs. Nestes 10 dias de uso passei por 3 congelamentos, todos eles enquanto instalava aplicações pelo Market. Em dois casos tive que desligar o celular para voltar. Não encontrei relatos de outras pessoas sobre isso,  mas não pode ser apenas coincidência, acho que existe algum bug relativo ao Market nesta versão de ROM que se manifesta em conjunto com algum app que eu uso. Mesmo assim, digamos que de 30 vezes que eu usei o Market, deu erro em 3. E consegui um “uptime” de mais de 6 dias, que só interrompeu porque quis colocar o chip em outro aparelho. Então eu classifico esta ROM como estável o suficiente para mim, para que possa usar no dia a dia.

Comparando com a Eclair2CliqBeta1, a adlxmod 2 se mostra um produto bem mais acabado, solucionando bugs, incluindo o Bluetooth, sensor magnético (e outros sensores) e ainda o Motoblur, para quem deseja. Fica faltando o driver 3D, que impede o uso de alguns jogos, e segundo alguns especialistas, também dos wallpapers animados. Com o sensor magnético o app Tricorder finalmente passa a funcionar. Além de ser um brinquedo geek e/ou para fans de Star Trek, o Tricorder é um app que demonstra bem os sensores do Dext. Devo fazer um post sobre estes sensores no futuro.

E uma notícia relevante para os usuários da Claro. Foi divulgado um novo método de root que não requer atualização do rádio. Com isso usuários da Claro e suas associadas na América Latina, principalmente México, agora podem fazer upgrade para Android 2.1 sem perder o 3G (desde que utilizem este método, e não os anteriores). Leia mais sobre isto no forum do ModMyMobile específico para Cliq/Dext. Com isso a totalidade dos usuários poderia fazer o upgrade (caso decidam assumir o risco e a perda de garantia).  Vamos então a um  checklist final desta ROM:

MotoBlur: OK;  3G: OK; GPS: OK; Bluetooth: OK; Acelerômetro: OK, Driver 3D: FAIL , WiFI: OK; Sensor magnético: OK, Sensor de proximidade: OK; Fones: OK; Touchscreen: bom; duração da bateria: boa.

Outras características: Motoblur em nova versão, Launcher Pro pré instalado, APP performance manager instalado, APP gerenciador de permissões de superusuário por aplicativo.

Pontos negativos: Sem driver acelerador 3D e bugs no Android Market (travamentos).

Quem se interessar pode procurar esta versão nos seguintes links:

Thread oficial da ROM no M3:

http://modmymobile.com/forums/548-motorola-cliq-dext-roms/554686-rom-adlxmod-2-0-android-2-1-motoblur.html

Página do A.Dumont sobre o mod:

http://sites.google.com/site/adlxmod/news

Página do mod no site Simple Android:

http://simply-android.com/discussion/108/adlxmod-2.0-android-2.1-with-motoblur/p1

Twitter do Alexandre Dumont:

http://twitter.com/adumont

E por fim uma última notícia sobre esta ROM. O A. Dumont já lançou um patch, a versão 2.0.1. É um fato positivo, pois mostra que o projeto não está parado. Quem já tem o adlxmod 2 instalado não precisa se preocupar, pois a instalação deste pach é incremental, em cima do anterior. e não é preciso fazer “wipe” antes de instalar (que apagaria todos os dados e configurações da memória).


· · ·

Sim, agora é oficial, conforme vemos neste post no fórum de suporte da Motorola, não vai rolar a atualização do Android 2.1  no Dext na América Latina. Capturei a tela da web abaixo  hoje, 22-ago-2010, para o caso de haver alteração:

Isto é particularmente revoltante quando vemos nesta mesma tabela que o Cliq (o Dext nos EUA) está agendado para ser atualizado no terceiro trimestre, e o Dext ainda está em avaliação no resto do mundo. Já para a nossa querida América Latina temos o categórico “will not have upgrade”. Mesmo com toda a evolução da nossa economia, o mercado brasileiro ainda é relegado à margem pelos fabricantes em geral, e este o episódio do update do Dext só comprova isso. Este artigo descreve a minha solução para esta situação e inclui o review de uma ROM com Android 2.1 para o Dext que testei.

Diante do anúncio da Motorola, já devidamente desenganado, tomei a decisão pessoal de fazer um upgrade de ROM não oficial no Dext para o 2.1. A verdade é que o Dext, 10 meses depois que comprei, continua me parecendo um smartphone muito bom e útil. Mas não me conformo de usar uma versão de OS tão desatualizada e com tantos bugs. Para mim software congelado é software morto. E a Claro não fez sequer as atualizações menores de firmware dentro da versão 1.5,  faz tempo lançadas no resto do mundo, que resolvem bugs e melhoram a autonomia da bateria. É muito desanimador. Mas o hardware do Dext ainda é relevante e não merece ser abandonado, por isso não vou me desfazer dele nem muito menos arquivá-lo de vez numa gaveta. É desperdício deixar o Dext eternamente preso ao Android 1.5, ainda mais o 1.5 bugado da Claro. Por fim resta o alívio do Dext, PELO MENOS, ser um smartphone relativamente fácil de ser atualizado pelo usuário, como pode ser comprovado lendo os fóruns especializados como o ModMyMobile. Foi sorte porque parece ser política da Motorola dificultar cada vez mais esta operação, vide eFuse no Droid X.

Procurando na net já achei muitos tutoriais em fóruns sobre como atualizar a ROM do Dext para o Android 2.1 (eclair), como já relatei em post anterior aqui no blog, com os problemas típicos desta fonte de informação. Acabei achando também este post no gizmodo

http://www.gizmodo.com.br/conteudo/como-instalar-o-android-21-no-motorola-dext

que me pareceu bem mais user friendly e tranquilizador, ideal para os marinheiros de primeira viagem em ROMs customizadas de celular. Recomendações genéricas antes de começar: primeiro, note as advertências de praxe sobre o risco dos procedimentos. Ninguém se responsabiliza pelos resultados de fazê-los, nem os autores dos tutoriais, nem o do post, nem nuito menos eu que apenas relato que fiz, deu certo e não me arrependo. Mas sinceramente, é uma operação que pessoas com intimidade em manutenção de hardware e em tecnologia consideram tranquila, mas usuários em geral vêem como aterrorizante, e não sem motivo. Então se você estiver neste último grupo não se sinta pior por isso, espere o celular ficar mais velho, mais obsoleto, até que possibilidade de perda total não seja mais um drama, e então utilize-o para começar sua carreira. Segundo, antes de fazer a troca de ROM faça um backup da ROM original (procure tutorial para isto também, mas na realidade é apenas uma opção do recovery customizado que será instalado, como se verá a seguir). E por fim, antes de trocar a ROM considere a possível perda da garantia. Para mim faltavam dois meses até acabar a garantia de um ano, e decidi não esperar, mas isto depende de cada um.

Apesar das décadas de experiência com montagem e manutenção de PCs, já tendo alterado BIOS de quase todos os PCs que passaran pela minha mão, foi a minha primeira experiência com “reflash” de celular! Então a insegurança e ansiedade até seriam normais. Mas eu já estava tão chateado por ter lido a notícia oficial do não-upgrade que não estava nem aí. Além disso, seguindo os procedimentos que são indicados no post do gizmodo acima, não senti em nenhum momento que tinha perdido o aparelho. Optei por fazer o procedimento de root com o tutorial do HandlerExploit (o primeiro). O único susto: depois de colocar a ROM da Orange (passo 1), aproveitei para usar um pouco esta ROM e notei que o teclado físico estava desconfigurado, ou seja, as teclas estavam todas fora de posição (no “q” saía “a”, etc.). Mas como esse era um passo intermediário e não o destino final, não me preocupei muito (na ROM final voltou a funcionar). O objetivo desta ROM da Orange é apenas compatibilizar com o recovery customizado. [1]

Mas deu pra ver em poucos minutos usando a ROM da Orange que a qualidade geral desta já é bem melhor que a da Claro: mais atualizada, mais rápida, com menos customizações inúteis e indesejáveis (tipo o demo do Assasins Creed, menus de operadora, search do yahoo, etc). Testei também se o 3G continuava funcionando, e estava OK, na Vivo. Aqui existe um detalhe importante: segundo relatos, clientes da Claro poderão perder o acesso de dados 3G usando algumas destas ROMs, porque o rádio é atualizado e fica incompatível com a frequência desta operadora. E pior, não pode reverter isso reinstalando a ROM original, porque o driver de radio é atualizado separadamente no processo. Isso depende também da região do país. Antes de tentar o upgrade é obrigatório considerar tudo isso (a frequência 3G usada pela sua operadora na sua região e as que são suportadas pela ROM), pra não acabar fazendo um downgrade irreversível de dados para 2G, ou melhor, que só seria resolvido por um novo update do rádio (que descoheço se já existe) ou pela troca de operadora…

Sem perder muito tempo com a ROM da Orange, pois só estava conseguindo me sentir mais vítima por ter passado tanto tempo com a original, passei aos outros dois passos do tutorial de root. Afinal o foco era ter o Android 2.1. Tive que refazer algumas vezes a instalação do recovery nos passos 2-3, revendo o vídeo que tem no post do gizmodo. Não entendi porque, mas só funcionou da terceira vez. Depois disso a instalação da ROM final foi tranquila. Só que tutorial do Handler, no quarto passo, não instalei a ROM “PureHandler1.0″ que ele indica, e ao invéz disso passei direto para a instalação da Eclair2Cliq. O processo é exatamente o mesmo, só muda o arquivo. E também não foi versão a recomendada (alpha 5) e sim a beta 1. O post do gizmodo citado acima já está levemente desatualizado, e a versão beta 1 tem  melhorias e mais dispositivos funcionando sque a alpha 5. O processo de update será o mesmo, mas pelo exposto recomendo já pegar o arquivo “Eclair2CliqBeta1″ (ver liks no final onde procurar). Não deixe também de ver o vídeo que está neste post, veja o vídeo todo e depois reveja os trechos conforme for fazendo cada passo do tutorial (se for o primeiro, do Handler, que é identico ao que é feito no video), dando pause.

Agora um review sobre a ROM Eclair2Cliq Beta1, depois de dois dias de uso bem intensivo, instalando muitos apps e acionando o máximo de funções. É uma versão Android 2.1 (eclair) desenvolvida por Travis James, sem Motoblur, e “rooted”, ou seja, permite acesso superusuário para aplicações e todos os outros acessos de root. É um Android puro, sem customizações de interface. Foram incluídos apenas os drivers de dispositivos e alguns poucos aplicativos. O Travis James recentemente anunciou que abandonou o desenvolvimento para o Cliq/Dext, que mudou de celular, e que repassou o projeto para o HandlerExploit (o mesmo autor do tutorial do recovery…). Por isso não se sabe se vai haver uma beta 2 ou muito menos uma release candidate. De qualquer modo, achei o sistema bem estável, muito melhor que a ROM da Claro original com o Android 1.5. Não fiquei com nenhuma vontade de reinstalar a da Claro, mesmo porque, uma vez tendo trocado para esta, existem muitas outras ROMs como alternativa, e inclusive já tenho oura em mente (ver no final), e o mais importante aqui é a possibilidade de troca.

A impressão inicial, ao dar boot pela primeira vez, é ótima. A interface é bem mais limpa, agradável e prática. De cara senti falta dos botões de telefone e contatos (o verde e o azul) dos lados do botão central que sobe o painel de programas. O telefone e os contatos são apenas ícones de aplicativos comuns na área de trabalho. Não é um defeito grave. Uma forma de contornar isso é instalar um outro gerenciador de área de trabalho, o LauncherPro (de Frederico Carnales), pelo próprio market. Mas também e plenamente possível acostumar a usar o ícone na área de trabalho, que só não é tão grande e chamativo. E ele já veio convenientemente em cima de onde estava o antigo botão de telefone. Senti falta também de um navegador nas pastas do SD, então instalei o app “Explorer”. No mais os complementos utilitários foram os mesmo que eu já tinha no 1.5: OS Monitor, Network Monitor, Task Manager, MyIP, etc…

A experiência de uso do touchscreen também melhora dramaticamente. Isto é um alívio, mas  não deixa de ser também revoltante. Como é que me deixam usando um touchscreen tão falho como o da ROM original, se existia uma possibilidade de consertar isso? As operações de arrastar e de clicar passam a ter muito mais precisão, sem parecer ficar prendendo quando arrasta, ou clicando por engano, quando arrasta, ou falhando no cliq. Outra correção que notei foi no Youtube, que antes dava erro de execução em 90% dos vídeos que tentava abrir. A velocidade geral também aumenta, não apenas na interface básica como na execução de apps. E, não menos importante, com a versão 2.1 abre-se uma nova gama de opções no Android Market: app oficial do Twitter, do Kindle, o Tricorder (instalei todos estes sem problemas), entre muitos outros, que só funcionam no 2.1. A lista é significativa e só tende a aumentar daqui para frente. A melhoria de interface somada ao aumento de velocidade e aos novos programas dá a nítida impressão de ter adquirido um celular novo e melhor. Só que custando zero.


Sobre a autonomia da bateria, que é um dos meus objetivos ao trocar a versão do sistema, não posso ainda dar uma opinião conclusiva sobre a performance da Eclair2Cliq, mas a impressão é que está melhor, mesmo considerando que neste período de avaliação fiz um uso muito mais intensivo do aparelho do que vinha fazendo ultimamente. Outra coisa que achei muito boa foi a tela do sistema que mostra o percentual de consumo de bateria de cada processo (Settings-About Phone-Battery Use), ou direto pelo app Gauge Battery Widget, Top Battery Consumers (redireciona para a mesma tela), que mostra os programas vilões de consumo, que talvez possam então ser fechados pelo Task Killer. [2]

Li em fóruns gente dizendo que nesta versão o acelerômetro não funcionaria, mas aqui está ok, testado pelo reposicionamento de tela em aplicativos comuns como o browser, e testei também no jogo Labirynth Lite, aquele em que se guia a bolinha de metal pelo labirinto de madeira inclinando o aparelho, escolhido por precisar do acelerômetro. Testei também o GPS, que disseram que não funcionava, mas está totalmente operacional. Testei com o app “GPS Test”, e ele localizou 2 satélites mesmo estando dentro de um prédio. Testei também o funcionamento dos fones, e estão ok.

O que realmente não funciona nesta ROM: bússola (sensor magnético e tudo que precisa dele), bluetooth  e os drivers 3D. Infelizmente isto elimina as funcionalidades magnéticas do Tricorder … droga! :-) A única perda significativa para mim foi o Bluetooth, uma perda aceitável no momento, mesmo eu já tendo me acostumado a usar o BT para atender telefone no carro.

Abaixo algumas telas do Eclair2Cliq no meu Dext, tiradas com o App “screenshot”, desenvolvido por GeekSofts, que tem no Market e requer root.

—-

Um resumo de prós e contras da Eclair2Cliq Beta 1, comparando sempre com a ROM original 1.5 da Claro:

Vantagens:
- Sistema mais rápido que o 1.5
- Touchscreen mais preciso
- Interface mais limpa, mais prática, melhor em todos os aspectos
- O teclado virtual também melhora sensívelmente
- Apps no Market para o Android 2 e 2.1
- eliminação das customizações agressivas da Claro (logo de abertura, apps inúteis, search do yahoo, etc)
- Widget de busca do google, finalmente!
- Motoblur eliminado (este já depende de gosto, e só sendo usuário dele, e mesmo assim nem todos, pra entender como a ausência de uma feature pode ser uma vantagem :-) )
- Wifi, GPS, câmera, fones e acelerômetro funcionando
- Acesso root (isso também depende, existem riscos de segurança envolvidos)
Desvantagens:
- Bluetooth não funciona, e nem a bússola (sensor magnético)
- driver 3D não implementado, o que afeta alguns jogos
- O 3G provavelmente não funcionará para a operadora Claro (depende da frequência 3G utilizada na região/operadora)
- Não se consegue desabilitar o acesso de root
[3]

Depois disto tudo encontrei outro post mais recente no gizmodo falando de uma ROM 2.1 mais nova e que se alega resolver todas as falhas da Eclair2Cliq incluindo o bluetooth e ainda trazer o Motoblur (que não me faz falta, ou melhor, é pensar se vale nais a pena não ter o Blur que ter o BT):

Este post não substitui o que foi mostrado acima, pois não foca nos procedimentos de atualização. Leia os dois. Ainda não testei esta versão adlxmod 2.0, desenvolvida por Alexandre Dumont (ver link do twitter abaixo). Quero passar um bom tempo com a Eclair2Cliq antes, até para poder fazer comparações com outras. Abaixo mais alguns links úteis neste mundo das custom ROMs:

Fórum sobre ROMs do Dext no ModMyMobile

Sugiro também acompanhar o portalandroid.org (em português). Espero com este artigo ter pelo menos desmistificado a atualização de ROM por versão customizada, abrindo uma opção  para dos demais donos de aparelhos abandonados prematuramente pelos fabricantes.

Editado em 24-08-2010:

[1] Na realidade apenas algumas teclas foram trocadas. Apenas por curiosidade, depois descobri que é pelo fato da ROM da Orange ter o padrão de teclado “azerty”, que é usado na França. Mas repetindo, do ponto de vista prático é irrelenante, porque esta ROM é apenas um passo intermediário no método de root.

[2] Sim, agora posso dizer, a bateria dura muito mais, mesmo usando mais widgets na área de trabalho.

[3] Encontrei mais dois bugs: o sistema “restarta” quando liga o GPS nas configurações. Para não deixar dúvida, o GPS funciona normalmente, o sistema apenas restarta quando ele é ligado. É inconveniente, mas para mim não seria  impeditivo.  No entanto encontrei ainda hoje mais um bug nesta versão, desta vez no telefone. Ele dificulta terminar chamadas de telefone. Este sim é complicado de aceitar. Estou passando para outra ROM, a já citada adlxmod 2.0, que promete ser estável. Ver o que acentece com ela no próximo post.

Depois de mais 2 dias de uso da Eclair2Cliq beta 1, a qualidade que fez mais diferença foi a resposta muito melhor do touchscreen, que provavelmente é derivada da velocidade maior, e em segundo justamente a autonomia da bateria. Se fossem consertados os bugs do BlueTooth e do telefone, seria a ROM ideal para mim, por não ter o MotoBlur. Vamos ver como a adlx se comporta nestes dois pontos da bateria e touchscreen.

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Está previsto para agosto o lançamento oficial no Brasil do Nokia N900, um “tablet-smartphone”  que roda o Linux Maemo, e já sairam muitos reviews na mídia especializada sobre ele. Vamos ver um resumo dos fatos, e destacar alguns dos pontos positivos e negativos deste aparelho que não se encaixa bem em nenhuma classificação atual. Descubra aqui se o N900 é para você.

Primeiro falemos sobre sua origem, o que ajuda a entender muita coisa. O N900 é sucessor da linha N800, que não tinha função de celular, era apenas um tablet (pequeno…), ou computador de mão. No 900 foi inserida a função de telefone. Isso explica porque  em vários aspectos o aparelho parece mais fraco como telefone que a concorrência. Não se trata do hardware, mas deficiências do software. Sendo a plataforma do aparelho é uma versão do linux aberta, pode ser feito absolutamente tudo para preencher o que falta, mas não houve tempo ou empenho da Nokia para entregar todas as facilidades de um bom smartphone já de fábrica. Um exemplo sempre citado é o MMS, que não vem configurado, mas pode ser instalado pelo usuário. Uma outra desvantagem é o tamanho, pois ele é mais grosso e pesado que a média dos smartphones atuais. A bateria também é muito criticada, mas nisso ele está meio empatado com o resto, que em geral é muito ruim. Por causa disto tudo fala-se que o N900 não é um smartphone e sim um computador de mão com a função de telefonia. E isto é uma boa descrição que ajuda a entender as limitações e apreciar a grande vantagem do N900.

O lado positivo do N900 é justamente ser um computador rodando uma distribuição linux baseada no Debian. Como uma distribuição linux típica, ele é aberto e modificável. É possível desenvolver software para ele utilizando ferramentas já conhecidas pela comunidade do software livre. É muito fácil também obter permissão de root, sem precisar hackear o aparelho ou gravar uma nova ROM. Como se diz por aí, é quase impossível  “brickar”  o N900. No mundo Android, ao contrário, a situação é bem diferente. O Android se baseia em software livre, usa o kernel do linux, mas a versão para consumo é fechada: não se pode alterar o sistema operacional ou os aplicativos pré-instalados. O que é permitido nestes casos é fazer aplicações em Java adicionais, mas não alterar o funcionamento do sistema, ou sequer atualizá-lo. A consequência disso é que muitos celulares com Android rodam ainda a versão 1.5, muito atrás da 2.2 atual. Quem quiser a versão mais nova entra no mundo do hacking, correndo os riscos associados a isso. Já existem desenvolvedores independentes de versões alternativas de sistemas para celulares com Android, uma prática que está ficando cada vez mais popular. É uma alternativa sim, mas estas ROMs de terceiros e seus métodos de instalação não tem garantia nenhuma, e nem uma comunidade organizada por trás dando continuidade. Outra diferença do Android é que nele o linux foi fortemente alterado/customizado, e a forma de desenvolvimento interno para ele é bem diferente de uma distrubuição linux tradicional. No N900 conta-se que é possível instalar diretamente a versão Debian para ARM (não comprovei isso).

Não vou repetir aqui as especificações do aparelho, veja aqui neste blog (http://n900.aguilarj.com/?page_id=7) , que inclusive é uma boa fonte de informações sobre o N900 em português. O autor deste blog também desenvolveu um pacote de localização de  linguagem de português do Brasil, que pode ser facilmente instalado. Sim, pois a versão que será vendida oficialmente no Brasil pela Nokia virá apenas com português de Portugal. Isto é mais um exemplo da inconveniência do N900 para o usuário comum, ao ter que buscar e instalar  (ou fazer) um pacote para ter uma funcionalidade que devia estar pronta para uso, mas ao mesmo tempo demonstra o poder do N900 para o usuário especializado, que é justamente a facilidade de instalar ou fazer novas funções para a máquina. Dois lados da mesma moeda.

E por fim, um detalhe de hardware realmente negativo do N900 é que ele tem tela de toque resistiva e não capacitiva. A tela resistiva tem menos precisão, menos durabilidade, e deixa passar menos luminosidade, além de dificilmente implementar multitoque. Do meu ponto de vista é o problemas mais sério do N900 e que não pode ser contornado com a boa vontade do usuário. A vantagem da tela resistiva é que permite o uso do “stylus”. Sim, quase tudo na vida tem um lado positivo… E falando em entrada e saída, o teclado é bom, espaçoso, mas tem apenas 3 linhas de teclas. A tecla espaço fica no meio das letras. Até meu Dext tem um qwerty mais padrão, de quatro fileiras de teclas.

E por fim não se pode deixar de comentar o próprio Maemo. Como já disse ele é uma versão do Debian feita pela Nokia seguindo a filosofia do software livre. A má notícia é que ele será descontinuado, em favor de uma nova versão do linux que está sendo desenvolvida pela Nokia em conjunto com a Intel, o Meego. O Meego roda no N900, mas de novo, fica a cargo do usuário instalá-lo e mantê-lo. Um usuário final típico não vai querer “sujar as mãos” com isso.

Então, resumindo os prós e contras:

Prós: plataforma de desenvolvimento aberta baseada em linux, utilizando ambiente padrão do software livre. Hardware robusto e versátil.

Contras: tela de toque resistiva, sistema operacional padrão vai ser descontinuado, funcionalidades de telefonia abaixo da média, tamanho e peso acima da média.

Com uma lista de contras tão contundente será que vale a pena  comprar o N900? Bom, o fato é que se analisar bem, ele é o único no mercado na sua proposta, ele tem o monopólio. Se eu quiser um aparelho que faça o que ele faz, só ele mesmo: um computador de mão rodando linux aberto e com telefonia. Eu não compraria por exemplo um N800 que não serve para falar, mas com o N900 me arriscaria a utilizá-lo como celular e computador móvel ao mesmo tempo.

Quanto ao preço, o que foi divulgado pela Nokia para o mercado nacional é de 2.000,00 (versão sem subsídio de operadoras), mas já achei ofertas online de produto novo por 850,00, sendo que 1300,00 na média. Boa parte dos aficionados por tecnologia e gadgets já deve ter adquirido por esta via, e como o N900 é claramente  voltado para este público, acho que a Nokia foi extremamente LENTA em lançá-lo por aqui. Como não houve sequer localização para a lingua portuguesa do Brasil, e o produto será importado, não entendo o que justificou tanta demora.

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O blog Tecnoinsider agora tem versão mobile. A partir de hoje, quem acessa o site pelo Android, iPhone ou Windows Mobile é direcionado para uma telinha inicial mais limpa e amigável. O dispositivo móvel é detectado automáticamente, sem necessidade de optar pela versão mobile ou a normal. Mas quem tem uma tela grande no smartphone pode usar a versão normal se preferir. Existe um link de saída para a versão normal no rodapé da página. Note que esta opção fica memorizada no dispositivo, mesmo entrando novamente no browser. Para voltar à versão mobile use um outro link (“Return to Mobile Edition”) também no final da página.  Outra dica: se houver imagem grande no post ela poderá estar cortada na versão mobile. Mas basta clicar na imagem para poder rolar sobre a imagem completa. O plugin utilizado foi o WordPress Mobile Edition 2.3, da Crowd Favorite.

Ainda falando em WordPress e smartphones, instalei também o app para Android “WordPress”, da Automatic, o que agora me permite administrar os blogs de qualquer lugar.  Estas foram minhas duas últimas “aquisições” para a caixa de ferramentas de manutenção de blogs. Fiz também mais alguns ajustes no TecnoInsider que provavelmente serão imperceptíveis aos leitores, mas afetam a performance e a visibilidade na Web (atualizando sites externos).

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Quem acompanha mais de perto as operadoras de celular já deve ter percebido as mudanças frequentes na forma de tarifação dos planos de dados. Os pacotes entram e saem, mudam preços e quantidades, e mais importante, muda a própria unidade de medida que será cobrada. Ora vendem plano limitado por velocidade, ora por quantidade de dados trafegados mensais. Afinal, de onde vem tanta dúvida na cabeça dos executivos de telecomunicações? Eu tenho apenas duas hipóteses. Uma é a velha maquiagem do produto, para obter margem de lucro melhor. A outra é que eles estão meio perdidos mesmo. Pode também ser uma combinação das duas: de ganância com falta de planejamento, em proporções variáveis. Vamos analisar alguns exemplos e notícias recentes para ver qual hipótese mais se encaixa, e como o consumidor pode sobreviver em meio a esta selva de planos de dados.
(mais…)

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A informática sempre se alimentou de rumores, alguns se confirmam outros não. Acompanhá-los para mim é divertido, e acaba sendo necessário, já que muitos acabam virando realidade. Aqui temos dois: um, que nem parece ser tão improvável, é o lançamento do até agora chamado Motorola Shadow, que seria uma espécie de Droid mais bonito e mais atualizado. O lançamento não foi confirmado pela empresa, mas as especificações e fotos vazaram e estão espalhadas pela Web (será que vazaram mesmo ou é marketing?). Ver uma delas abaixo, é realmente bonito. O segundo rumor, este mais difícil de comprovar, e no entanto até mais interessante, é que haveria um convênio entre a Motorola e a Google, tal como esta fez com a HTC, para que este modelo seja o futuro ‘Nexus Two’. Aí só o tempo dirá.

Analisando: pela foto vemos que o design ficou bom. Gosto estético obviamente é subjetivo, mas pra mim o visual é muito superior ao Droid/Milestone. Não que eu ache o Droid feio, mas tenho restrições aos detalhes dourados e ao teclado. Vemos também que as teclas parecem bem maiores que as do Droid. Aquela protuberância na lateral é um suporte para alça de mão. Não sei ainda se é uma boa idéia, nunca usei alça de mão em celular, também nunca senti falta. Das especificações, tela de 4,3″ com resolução de 850×480, e Android 2.1. Melhor que o Droid e melhor que o Nexus One, pois tem teclado físico. A se confirmar tudo isso, esse dispositivo, seja lá qual for o nome final, se Shadow, Nexus Two ou outro qualquer, vai virar meu próximo objetivo de consumo em smartphones.

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Já manifestei diversas vezes aqui no blog a frustração de ter comprado um Dext e usar o Android 1.5. Essa frustração na verdade surgiu quando, ao procurar sobre informações sobre updates no site oficial, não achei nada que me desse esperança de que a atualização fosse algum dia ocorrer. Pois bem, a esperança renasce com a divulgação de um cronograma para atualização do Dext (Cliq) e Milestone (Droid) pelo mundo. Agora pelo menos existe uma data prevista. Se vai ocorrer de fato é outra coisa, mas perceba, nem que seja apenas para se sentir melhor,  que o que está em jogo é mais a credibilidade do fabricante do que a satisfação de um usuário com um produto. Veja a tabelinha abaixo com as previsões:

Desta tabela pode-se notar que usuários do Milestone na América Latina não tem previsão de obter o update para a versão 2.1. Por outro lado os do Dext pelo menos podem esperar até o terceiro trimestre (de 2010) para obtê-la. Ainda assim considero que o Milestone está em vantagem com relação a atualização, pois já estaria confortavelmente com a versão 2.0, duas versões a frente do Dext (1.5 e 1.6) durante mais da metade deste ano. Mas, além disso, na Europa o Milestone já receberá o 2.1 no primeiro trimestre (mesmo sem precisar tanto).

Impressiona os prazos longos para colocar um sistema que já está em produção (o 2.1 já está no Nexus One) nos dois dois modelos de smartphone. Li em um forum que a justificativa seriam as versãoes customizadas para cada operadora. É uma hipótese, não confirmada. Mas ainda assim, quase um ano para customizar um SO de smartphone é muito tempo!

Fonte: Forum oficial da Motorola.

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O vídeo a seguir mostra as características no novo Windows Mobile 7. Como digo sempre, não faço torcida, mas neste vídeo é clara a influencia do Android e do iPhone no design e na interface do Windows Mobile 7. Como dito no post anterior, é adotada interface semelhante à do Zune, o tocador de música da Microsoft. Já foi dito em outras fontes que na realidade serão duas versões de Windows Mobile 7, uma com a cara que está nesse vídeo, e outra para o usuário profissional, mas não tenho confirmação disso ainda.

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Quem acompanha tecnologia pela Web pode detectar um aumento de posts e artigos sobre o Windows Mobile 7 nas últimas semanas. Bem menor do que a movimentação que antecedeu outros lançamentos de sistemas para smartphones, é verdade, mas ainda assim maior do que a compatível com o atual market share do Windows Mobile. A única coisa que justificaria isso seria um produto revolucionário para reverter o abandono progressivo deste sistema. Pelas informações que se tem até agora, é exatamente isso que a Microsoft quer apresentar. Independentemente do sucesso do 7, as mudanças no sistema são tais que pode-se considerar que o “antigo” Windows Mobile realmente acabou, e trata-se agora de uma tentativa de começar quase do zero tanto em identidade visual quanto em mercado. Como aconteceu esta tragédia com o Windows Mobile, e o que poderá vir daqui pra frente?

Como ex-usuário do Windows Mobile 6.0 (para celulares) não tenho quase nada a reclamar dele no período que o utilizei, já que fazia tudo o que eu esperava de um smartphone na época e até mais. Era um aparelho com tecladinho fisico embaixo da tela, no estilo mais profissional, que tornava a digitação de SMS e pequenos emails finalmente suportável em um celular. Permitia ler emails (com restrições) e acessar a Web bem melhor que um celular comum. Foi o primeiro smartphone que eu comprei, e a tendência como consumidor seria ir na inércia e continuar usuário das próximas versões. Mas não foi o que aconteceu, e direi porque. Passado aproximadamente um ano, algumas limitações começaram a ficar evidentes: tela pequena demais, hardware lento, pouco software disponível, navegador Web limitado, etc. Isso é esperado, e neste momento é natural começar a prestar atenção ao mercado e fazer comparações entre a versão que sistema que eu tenho, as novas versões do mesmo sistema e as versões de outros sistemas. Eis a minha impressão da época.

A primeira coisa que se notava é a falta de unidade, de coerência de versões, do sistema. Eram duas versões, um para celulares (o standard), mais limitado, e outro para PDAs puros ou “PDAs com função de celular”. Este último tinha mais recursos e rodava em harwares melhores, só que funcionava como o antigo Windows Mobile baseado stylus, que eu acho muito chato para uso pessoal. Quer dizer, a impressão é de ficar amarrado a um sistema mais limitado apenas porque a versão melhor foi empacotada para uso profissional. A idéia de versões para públicos específicos faz sentido, mas se mal ajustada, como me parece ser este caso, deixa todos insatisfeitos. No caso acho que fizeram uma divisão artificial e mal feita das versões, apenas para reservar mercado da versão mais cara. A segunda coisa que notei foi a falta de agilidade para utilizar novas tecnologias, como telas touchscreen, acelerômetros, GPS, etc. E por fim, não vi iniciativa para tentar reverter a falta de programas. Cadê a loja online e as facilidades para o desenvolvedor independente? Resultado, a Microsoft praticamente me expulsou do Mindows Mobile (e acabei indo pro Android).

Parece que a Microsoft acordou, e as informações que me chegam agora é que eles estão atacando cada um destes problemas. A interface com o usuário vai mudar. Falam em padronizar com a interface do tocador de música da MS, o que nada mais é do que o que a Apple fez desde o início. Na verdade faz sentido, pensando no uso pessoal, mas e o uso corporativo? O engraçado é que a opção pelo mercado corporativo era clara até a versão 6, com uso de teclados físicos no formato do Blackberry ou de stylus como em PDAs. Mudar para inteface de tocador de música é uma guinada de 180 graus.

Além disso para o usuário final o sistema é a interface, quer dizer, o 7 na realidade tem cara de 1.0 … além disso alguns comentários falam que não conseguiram ainda eliminar por completo o uso do stylus da interface. Isso é difícil de acreditar, mas como são diversas fontes, pelo menos deve-se levar em consideração. De qualquer modo seria estranho um aparelho vir com um stylus acoplado só pra usar em algumas poucas telas.

Com relação ao hardware, não vejo dificuldades. Todos os recursos tecnologicos que falei antes já são padrões e os fabricantes podem inserir em qualquer projeto, bastando que o sistema operacional os acesse. Já no software, a MS criou uma loja online, mas quase não se houve falar dela. Talvez estejam aguardando o lançamento do novo sistema para relançar a loja. Mas a palavra “aguardar” é meio incompatível com tempos atuais, e vimos que perder o tempo pode ser fatal… E para os desenvolvedores, existe a dificuldade de ter que comprar uma licença do Visual Studio, já que a versão Express do 2008 não pode ser utilizada com o SDK do Windows Mobile. Ou seja, foram tímidos nas duas iniciativas, da loja e do engajamento de desenvolvedores. Outro ponto indefinido é como o sistema da MS vai se relacionar com o mercado de propaganda móvel, que já está sendo explorado agressivamente nos outros sistemas, e pode ser uma fonte de renda signicativa, maior que a venda de licenças do Visual Studio, de programas na loja virtual, ou talvez até de licenças do próprio sistema operacional! Parece que a MS quer competir com a Google sem endender as regras do novo jogo, utilizando o mesmo modelo de negócios da década de 80.

Não tenho torcida contra ou a favor do Windows Mobile, mas a idéia que me fica dele é: “legal, a MS deixou o sistema de smartphone que eu usava morrer, tive que abandoná-lo, e agora vai criar um novo”. Mas o que se aproveita da minha antiga experiência com o sistema? Que programas antigos eu ainda posso usar? E para quem já saiu do Windows Mobile e teve que converter contatos, links e etc. para outro sistema? Resumindo, a tragédia aqui foi perder o momento certo e deixar os usuários escaparem. Porque eu acho que recuperar um usuário antigo é mais difícil que conseguir um totalmente novo.

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O iPad, o próximo grande lançamento da Apple,  não é exatamente novidade. A começar porque a própria Apple já fez uma tentativa há muitos anos, em 1996, com um computador neste formato, o Newton. Ele não fez sucesso, em parte por causa do preço, em parte pelas limitações da tecnologia da época. Era um tablet operado por stylus, cujo conceito acabou se concretizando em parte no Palm, mas em formato de PDA, muito menor. A idéia do tablet poderia ser descrita como um computador de tamanho comparável ao de um livro e cuja tela operada por toque ocupa toda a parte frontal. Este conceito nunca saiu completamente de cena, sendo revivido de tempos em tempos pelas grandes empresas, mas sem se concretizar em um produto de massas. Mas tudo leva a crer que isto está prestes a mudar.

Na foto abaixo, o Newton da Apple, em 1996:

Finalmente, depois do sucesso dos e-readers (kindle e etc) e dos netbooks, ficou evidente que o mundo está pedindo por tablets, mas agora no sentido de um computador relativamente pequeno, mas não muito, com a finalidade principal de consumir conteúdo (sendo que livro é apenas um tipo de conteúdo). Abordei este assunto em um post de 14/10/2009 (“A Wikipedia no seu bolso” ) no qual um aparelho leitor de Wikipédia portátil acaba me levando de volta à ideia de um leitor universal de mídia e Web.

Finalmente temos o anúncio do iPad há algumas semanas, que não comentei de imediato apenas por achar que isto já havia sido feito à exaustão por todos os lados da Web. Uma análise das especificações do iPad que saiu nesta cobertura da imprensa pode se resumir em uma palavra: limitado. Sem multitarefa, sem USB, com 10 horas de autonomia… será que a Apple finalmente errou na mão? Parte desta estranheza poderia ser creditada à comparação do novo aparelho com os existentes. De fato, o iPad é considerado por muitos uma resposta da Apple ao Kindle. Logo, compará-lo com este é um impulso natural. Só que o Kindle, por ser dedicado à leitura, leva imensa vantagem nisso: a bateria dura dias e o e-paper é mais confortável (embora monocromático). Por outro lado, comparando o iPad com netbooks e outros tablets que já existem, rodando Windows XP, Vista e Windows 7, a falta de capacidade do iPad se sobressai. Concluindo, ou se considera o IPad como criador de uma nova categoria de equipamento, ou ele ficou em uma região bem desconfortável no meio de outras categorias, sem ser melhor em nada.

O importante no anúncio do iPad, independentemente do sucesso comercial que venha a ter ou não, é que chama a atenção para uma nova safra de tablets que vem por aí. O show que a Apple monta não tem rival em nenhuma outra empresa de tecnologia, mas correndo por fora a Dell e HP+Microsoft já fizeram seus anúncios de tablets. Novos processadores, menores, econômicos e integrando vídeo no chip, estão chegando para viabilizar este formato. Novos sistemas operacionais, como Android, Chrome OS e distribuições enxutas de Linux, se adaptam perfeitamente a este hardware “mais magro”. A dúvida é como o segmento dos tablets vai interagir com as outras categorias de computadores (de uso geral): se vai tirar mercado de outros formatos, e em caso afirmativo, de quais.

Os formatos que  atualmente competem (e se complementam) na computação pessoal são basicamente quatro: smartphones, netbooks, notebooks e desktops. Os PDAs praticamente sumiram para o usuário final, já que os smartphones assumiram suas funções. Os desktops estão sendo ameaçados pelos notebooks, mas nos usos em que estão se mantendo, ou seja, quando grande capacidade de processamento e conforto são essenciais, obviamente não concorrem com tablets. Em parte o mesmo argumento vale para os próprios notebooks, que ou são usados para trabalho e por isso precisam de teclado confortável de tela grande, ou são usados para substituir o desktop em casa, e precisam de capacidade semelhante ao que o desktop tem.

Já os smartphones tem a grande vantagem do tamanho mínimo, e por isso serem o equipamento que é sempre carregado por todo mundo em quase todas as situações. Celular hoje é tão onipresente como as chaves de casa e a carteira, e se eles realmente forem completamente substituídos por smartphones, então quase todo mundo vai ter pelo menos um destes últimos. O tablet não pode encolher muito, senão ele perde a vantagem da área de leitura (ou exibição) e vira um smartphone! Mas existem situações em que não se quer carregar nada nas mãos, um tablet vira um estorvo, mas um  smartphone tem lugar garantido no bolso da calça. Logo, smartphones não devem perder mercado nenhum para tablets.

Já alguns netbooks utilizados apenas para acessar a Web poderiam facilmente ser substituídos por tablets, se estes forem mais leves, mais práticos  e mais baratos. E a tendência é que sejam, pois não tem teclado nem partes móveis. Alguns netbooks usados para escrever textos levam vantagem (embora um tecladinho comprado à parte que se comunique com o tablet acabe com ela). Então os netbooks são os concorrentes diretos dos tablets. Os e-readers também seriam concorrentes, mas creio que os readers existentes (Kindle e etc) provavelmente terão seu preço reduzido para condizer com o fato de terem uma única aplicação, e também porque  sustentam o negócio de venda de livros digitais, e portanto poderiam ser subsidiados por esta venda e sustentados de volta por este negócio.

Não vejo mais empecilhos graves para que em um futuro próximo livros, revistas e parte dos netbooks sejam substituídos por equipamentos da categoria dos tablets. Neste cenário de futuro a maioria das pessoas carregará um tablet na mochila ao ir para o trabalho, como se fosse uma agenda, e o sacará no metrô para ler ou acessar a Web. Demorou, mas pode ser que agora o tablet finalmente ganhe as massas. Em parte graças ao iPad.

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