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Brasil é o primeiro do mundo em potencial de descoberta de espécies

Fauna e flora brasileiras ainda escondem mistérios biológicos

Fabio Rocca by Fabio Rocca
15/06/2021
in AMBIENTE
rã Phyllomedusa bicolor

Foto: Josh More / Flickr

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Um país de proporções continentais, com uma variação tão grande de biomas, climas e altitudes que pode, com facilidade, abrigar a maior variedade do mundo de espécies de plantas e animais que ainda não foram catalogados pela ciência. Este é o Brasil em 2021, segundo um estudo publicado no periódico científico Nature, Ecology and Evolution.

A pesquisa revela, por meio de modelos matemáticos calculados por computador, que 70% do potencial de descoberta de espécies concentra-se em apenas dez países, dentre os quais o Brasil, que, sozinho, tem 10% de todas as espécies ainda não descritas.

A Amazônia e as florestas de Mata Atlântica respondem por 60% do potencial de descoberta no país, afirma o biólogo brasileiro Mario Moura, pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que liderou o estudo e criou o algoritmo de cálculo de probabilidade de descoberta de novas espécies baseado em animais vertebrados terrestres.

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“Em grupos de animais menores, como invertebrados e pequenos anfíbios, o potencial de descoberta é imenso. Em botânica, também temos biodiversidade capaz de gerar muitas novas espécies o tempo todo”, afirma o biólogo Paulo de Tarso Antas, pesquisador de aves silvestres, membro da Fundação Pró-Natureza (Funatura) e integrante da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Identificar, estudar e catalogar espécies é um trabalho extenso e árduo. Estimativas recentes revelam que o planeta Terra conta com 8,7 milhões de espécies de fauna e flora, das quais apenas 1,5 milhão são descritas em documentos científicos.

“Com certeza, temos potencial para descoberta de novas espécies. Isso se deve à grandeza em extensão e à diversidade de ambientes. São 3,5 milhões de quilômetros quadrados de costa marinha. Nessa faixa, temos manguezais, restingas, dunas e outros biomas associados. Em altitude, o Brasil tem biomas com variação de 3 mil metros. Conhecer e entender a dinâmica das espécies e dos ecossistemas é extremamente necessário”, afirma a gerente de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Marion Silva.

Descobertas científicas

O processo para identificar e catalogar novas espécies de fauna e flora exige conhecimento técnico apurado e muita experiência com a biodiversidade existente em determinados locais. Só assim é possível diferenciar espécies mais raras e as mais comuns, explica Hudson Pinheiro, cientista do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (USP) e mergulhador profundo da Academia de Ciências da Califórnia.

Segundo o cientista, é possível achar espécies que já foram descritas, mas nunca foram catalogadas em determinadas regiões. O papel dos museus é fundamental, já que guardam vastos arquivos científicos com registros e exemplares de animais e plantas, com suas devidas características e habitats.

“Na minha área [mergulhos profundos], descobrimos seis espécies nunca visualizadas e catalogadas em apenas duas expedições diferentes. A taxa de descoberta é de duas novas espécies por hora de exploração em ambientes profundos”, explica Pinheiro, que também é membro da Rede Especialistas em Conservação da Natureza.

Para o registro final, porém, o prazo para catalogação e nomeação de determinada descoberta pode chegar a dez anos, diz Pinheiro. “É um trabalho que precisa de comparação entre indivíduos, comparação entre muitas outras espécies. É muito específico. Existem espécies descobertas há muito tempo que ainda estão no processo, infelizmente. A ciência é carente de taxonomistas – profissionais que dão nome e classificam as espécies.”

A genética – processo de comparação de exemplares usando características de similaridade entre o DNA – é uma das ferramentas que vêm sendo usadas para encurtar o processo de descoberta e classificação de novas espécies, lembra o cientista.

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