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Precisa mesmo ficar em jejum para exame de sangue? Estudo com 100 mil pacientes traz nova resposta

Fabio Rocca by Fabio Rocca
11/10/2026
in SAÚDE E BEM ESTAR
Foto: Lucas Oliveira/Pexels

Foto: Lucas Oliveira/Pexels

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Ficar horas sem comer antes de fazer um exame de sangue pode não ser necessário em muitos dos testes laboratoriais realizados rotineiramente.

Um amplo estudo publicado na revista científica JAMA Internal Medicine concluiu que a duração do jejum teve efeito mínimo sobre a maioria dos exames analisados, levantando dúvidas sobre a prática de exigir a mesma preparação para todos os pacientes e tipos de teste.

Os pesquisadores avaliaram 9.755.547 resultados de exames de 101.148 pacientes adultos, envolvendo centenas de tipos de testes laboratoriais.

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A conclusão, porém, não significa que o jejum possa ser abandonado indiscriminadamente. Alguns exames, especialmente os relacionados à glicose e aos triglicérides, apresentaram alterações relevantes após a alimentação.

Mais de 100 mil pacientes foram analisados

Os dados foram obtidos de pacientes ambulatoriais atendidos em um hospital da Coreia do Sul. As coletas ocorreram entre fevereiro de 2021 e dezembro de 2023. Antes de cada exame, era registrado quanto tempo havia se passado desde a última refeição do paciente.

Os pesquisadores dividiram os resultados em três grupos:

  • menos de 8 horas de jejum;
  • entre 8 e 12 horas;
  • mais de 12 horas.

Também foram feitas comparações entre resultados do mesmo paciente em diferentes momentos, estratégia utilizada para reduzir a influência de diferenças individuais sobre os dados.

Maioria dos exames mudou pouco

Na análise inicial, 27 parâmetros apresentaram diferenças que ultrapassaram os limites definidos pelos pesquisadores. Quando os cientistas compararam exames realizados pela mesma pessoa em períodos diferentes, porém, as diferenças permaneceram relevantes em apenas dez parâmetros.

Entre os exames que se mostraram pouco afetados pela duração do jejum estavam vários testes rotineiros de hematologia, função dos rins, eletrólitos e parte das avaliações do fígado.

Os resultados sugerem que uma exigência única de jejum para todos os exames pode ser mais rígida do que o necessário.

Glicose e triglicérides foram afetados

Alguns resultados mudaram de maneira significativa quando o paciente havia ficado menos de oito horas sem comer. A glicose apresentou valores, em média, 10,8% maiores no grupo com menos de oito horas de jejum.

Nos triglicérides, a diferença chegou a 20,1%. Também houve alterações importantes na GGT, enzima utilizada em avaliações do fígado, com aumento de 14,8%, e na lipase, relacionada ao pâncreas, que apresentou diferença de 36,4%.

Esses resultados reforçam que determinados exames continuam exigindo preparação específica.

Ficar mais de 12 horas sem comer não trouxe vantagem

Outro resultado chamou a atenção dos pesquisadores. Quando foram comparados pacientes que permaneceram entre 8 e 12 horas em jejum com aqueles que ficaram mais de 12 horas sem comer, nenhum dos exames analisados apresentou diferença que ultrapassasse os critérios de relevância utilizados no estudo.

Na prática, os dados não encontraram benefício laboratorial mensurável em prolongar o jejum além de 12 horas para os testes avaliados.

Os autores defendem, portanto, que as recomendações sejam definidas de acordo com cada exame, em vez de adotar uma regra universal.

Estudo não significa fim do jejum

Apesar dos resultados, o paciente não deve decidir por conta própria comer antes de uma coleta. A necessidade de jejum depende do exame solicitado, do objetivo da investigação e das orientações adotadas pelo médico e pelo laboratório.

Além disso, o trabalho possui limitações. Trata-se de um estudo realizado em um único centro médico, e aproximadamente 90% dos resultados analisados eram de pacientes que haviam permanecido mais de 12 horas em jejum, enquanto o grupo de 8 a 12 horas representou uma parcela bem menor da amostra.

Por isso, os pesquisadores defendem uma abordagem mais individualizada, e não o abandono completo do jejum.

A principal mensagem do estudo é que, para muitos exames de rotina, exigir longos períodos sem alimentação pode não trazer ganho relevante na qualidade do resultado — enquanto para outros, como determinados testes de glicose e gorduras no sangue, o preparo continua importante.

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