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EUA, China e Rússia entram em corrida para levar energia nuclear à Lua

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A próxima fase da corrida espacial pode envolver algo que, até poucos anos atrás, parecia reservado à ficção científica: reatores nucleares funcionando na superfície da Lua.

Estados Unidos, China e Rússia avançam em projetos que pretendem utilizar a fissão nuclear para fornecer eletricidade a futuras bases lunares. O objetivo é resolver um dos maiores problemas para quem pretende permanecer por longos períodos no satélite: como produzir energia continuamente em um ambiente onde a luz solar não está sempre disponível.

Nos Estados Unidos, a Nasa e o Departamento de Energia trabalham para deixar um reator lunar pronto para lançamento até 2030. A agência espacial norte-americana voltou a reforçar o projeto nesta semana, ao ampliar a cooperação com o Departamento de Energia para o desenvolvimento de tecnologias nucleares espaciais.

Do outro lado, China e Rússia também planejam utilizar energia nuclear na futura Estação Internacional de Pesquisa Lunar, conhecida pela sigla ILRS.

NASA quer primeiro reator funcionando na Lua

O projeto norte-americano recebeu o nome de Lunar Reactor-1, ou LR-1. A intenção é instalar o sistema próximo à futura base que a Nasa pretende estabelecer na região do polo sul da Lua.

Segundo a agência, o reator deverá fornecer eletricidade durante períodos em que painéis solares seriam insuficientes ou simplesmente não funcionariam. O plano atual prevê que o LR-1 chegue à superfície lunar em 2030.

A tecnologia ainda terá um teste importante antes disso. A Nasa pretende lançar em 2028 a missão Space Reactor-1 Freedom, um sistema de propulsão nuclear-elétrica que servirá como demonstração de tecnologias que posteriormente poderão ser aproveitadas no reator lunar.

A experiência deverá fornecer informações sobre funcionamento de reatores no espaço, conversão de energia, controle térmico e outros desafios antes da instalação de um sistema semelhante na Lua.

Por que colocar um reator nuclear na Lua?

A resposta está principalmente na duração da noite lunar. Um ciclo completo de dia e noite na Lua dura aproximadamente 29,5 dias terrestres. Isso significa que determinadas regiões podem enfrentar longos períodos sem receber luz solar.

Além disso, há crateras próximas aos polos lunares que permanecem permanentemente na sombra.

Essas áreas são particularmente interessantes porque há evidências da existência de gelo de água, um recurso que poderia ser utilizado no futuro para produzir água potável, oxigênio e até componentes de combustível para foguetes.

O problema é que painéis solares têm pouca utilidade nesses locais. Um pequeno reator de fissão poderia funcionar continuamente durante anos, independentemente de luz solar ou das grandes variações de temperatura da superfície lunar.

Por isso, a Nasa considera a energia nuclear uma das tecnologias fundamentais para transformar missões curtas em uma presença humana permanente.

China e Rússia têm projeto próprio

Os Estados Unidos não estão sozinhos nessa estratégia. China e Rússia trabalham na criação da International Lunar Research Station (ILRS), uma futura estação científica planejada principalmente para a região do polo sul lunar.

A China pretende desenvolver uma configuração inicial da estação por volta de 2035, em parceria com a Rússia e outros países participantes. A geração de energia nuclear é uma das tecnologias consideradas para manter a instalação funcionando.

A Rússia também avançou com um projeto próprio. A Roscosmos anunciou que pretende desenvolver uma estação de energia lunar até 2036, destinada a fornecer eletricidade para instalações russas e também para estruturas ligadas à ILRS.

O projeto envolve ainda a estatal nuclear Rosatom e o Instituto Kurchatov, um dos principais centros russos de pesquisa nuclear.

Anteriormente, autoridades russas já haviam mencionado a possibilidade de instalar, em conjunto com a China, uma unidade nuclear na Lua entre 2033 e 2035.

Instalação pode ocorrer sem astronautas

Um dos aspectos mais ambiciosos do projeto sino-russo é a possibilidade de que grande parte da instalação seja realizada de forma automatizada.

O então chefe da Roscosmos, Yuri Borisov, afirmou que o sistema deveria ser entregue e instalado na superfície lunar sem a presença de seres humanos.

Isso exigiria robôs e sistemas capazes de realizar montagem, posicionamento e ativação da instalação a centenas de milhares de quilômetros da Terra.

Polo sul virou região estratégica

A disputa por energia está diretamente ligada ao interesse crescente pelo polo sul da Lua. Estados Unidos e China concentram boa parte de seus futuros programas lunares nessa região.

Além da existência potencial de gelo, algumas áreas elevadas recebem iluminação solar por períodos maiores, oferecendo condições interessantes para instalar equipamentos, antenas e sistemas de geração de energia.

A Nasa pretende construir sua futura Moon Base nessa região e já iniciou a seleção e o desenvolvimento de tecnologias de energia, transporte, produção de oxigênio e construção que poderão ser usadas no local.

Uma nova corrida espacial

Apesar das comparações, nenhum desses países possui atualmente um reator nuclear funcionando na Lua. Os cronogramas anunciados envolvem projetos tecnologicamente complexos e podem sofrer alterações.

Ainda assim, os planos mostram uma mudança importante na exploração espacial.

A disputa já não envolve apenas quem conseguirá pousar novamente na Lua, mas quem conseguirá construir infraestrutura capaz de permanecer funcionando por anos.

Nesse cenário, eletricidade pode acabar sendo tão estratégica quanto foguetes e módulos lunares — e a energia nuclear aparece como uma das principais apostas para manter as primeiras bases humanas funcionando quando o Sol desaparecer do horizonte lunar.

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