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Pompeia virou um “relógio” para cientistas reconstruírem grandes eventos do passado da Terra

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A erupção do Monte Vesúvio que destruiu Pompeia há quase dois mil anos está ajudando pesquisadores a medir com mais precisão acontecimentos ocorridos muito antes da existência das cidades romanas.

Cientistas do Berkeley Geochronology Center, da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Universidade de Pádua utilizaram a data historicamente registrada da erupção de 79 d.C. para testar e recalibrar um dos métodos mais importantes de datação geológica: a técnica argônio-argônio.

O trabalho foi publicado na revista Science Advances.

Uma catástrofe com data conhecida virou referência

Grande parte dos acontecimentos geológicos antigos não possui uma data registrada por seres humanos. A erupção do Vesúvio é diferente. Relatos de Plínio, o Jovem, preservaram informações detalhadas sobre a catástrofe que atingiu Pompeia e outras cidades romanas.

Plínio, o Jovem, foi um escritor e administrador romano conhecido por relatar em cartas a erupção do Vesúvio de 79 d.C., que destruiu Pompeia. Seus relatos são uma das principais fontes históricas sobre a catástrofe.

Os pesquisadores utilizaram a data histórica inferida para o evento, 24 de agosto de 79 d.C.,como uma espécie de ponto de calibração. Isso permitiu comparar a idade calculada em laboratório com um acontecimento cujo momento é conhecido de forma excepcionalmente precisa.

A equipe analisou oito amostras de sanidina, um mineral rico em potássio presente em material vulcânico do Vesúvio. O método argônio-argônio estima a idade de rochas medindo transformações envolvendo isótopos de potássio e argônio.

A análise datou a erupção em 1.938 anos, com margem de erro de 13 anos, considerando o momento em que as medições foram realizadas em 2025. A idade histórica correspondente era de aproximadamente 1.946 anos. Segundo os cientistas, o resultado representa precisão de cerca de 0,7% e exatidão de aproximadamente 0,4%.

Para que isso serve?

Pode parecer pouca diferença, mas em geologia alguns milhares ou dezenas de milhares de anos podem mudar completamente a interpretação da sequência de grandes acontecimentos.

Com uma calibração mais precisa, cientistas podem investigar melhor perguntas como: Um impacto de asteroide aconteceu antes ou depois de grandes erupções vulcânicas? Quanto tempo separou uma mudança climática de uma extinção? Em que ordem diferentes eventos geológicos ocorreram?

Paul Renne, responsável pelo estudo, destaca que aumentar a precisão ajuda a avaliar possíveis relações de causa e efeito no registro geológico. “O estudo mostra que é possível alcançar esse nível de precisão e exatidão, extremamente úteis, no âmbito histórico.”

Técnica também é usada para estudar vulcões perigosos

A datação argônio-argônio não interessa apenas a eventos de milhões de anos atrás, mas também pode ser usada para reconstruir o histórico de erupções de vulcões relativamente recentes e ainda ativos. Segundo a equipe, isso pode ajudar pesquisadores a compreender melhor sistemas vulcânicos próximos a áreas densamente povoadas, como os que ameaçam regiões de Nápoles, Cidade do México e Yogyakarta, na Indonésia.

A calibração também pode ser usada para conferir outros “relógios” científicos, incluindo datação por carbono-14 e métodos baseados em urânio e chumbo.

Fontes: UC Berkeley, Berkeley Geochronology Center e Science Advances

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