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Ela mede pouco mais de 2 cm e é quase transparente: ciência confirma nova espécie de rã no Brasil

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Uma pequena rã esverdeada, com pouco mais de dois centímetros e aparência quase transparente, foi confirmada como uma nova espécie pela ciência no Brasil. Batizada de Vitreorana micaelae, ela foi encontrada em áreas de mata de galeria no município de Luziânia, em Goiás, no Cerrado.

A identificação foi feita por pesquisadores ligados à Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Universidade Federal de Goiás (UFG) e Universidade de Brasília (UnB). O estudo foi publicado na revista científica ZooKeys.

Os machos adultos analisados medem entre 21,7 e 26,1 milímetros. Mas o tamanho não é a única característica incomum. Assim como outras chamadas rãs-de-vidro, o pequeno anfíbio possui aspecto esverdeado e partes do corpo translúcidas, característica que ajuda a explicar o nome dado ao grupo.

Parecia uma espécie já conhecida

A descoberta não aconteceu simplesmente porque os pesquisadores encontraram uma rã nunca vista antes. Animais semelhantes já haviam sido registrados naquela região do Cerrado e chegaram a ser identificados como outra espécie, a Vitreorana eurygnatha. Foi somente com uma investigação mais detalhada que os cientistas perceberam que havia diferenças consistentes.

Para chegar à conclusão, a equipe combinou diferentes tipos de evidência. Além de comparar características físicas dos animais, os pesquisadores analisaram material genético e as vocalizações produzidas pelos machos. O estudo encontrou diferenças no DNA, no formato e pigmentação de algumas partes do corpo e também no canto.

Essa combinação de técnicas é conhecida como taxonomia integrativa: em vez de depender apenas da aparência, os pesquisadores reúnem várias linhas de evidência para decidir se um organismo realmente pertence a uma espécie diferente.

Até o canto ajudou a revelar a espécie

O som produzido pelo animal foi uma das pistas. A Vitreorana micaelae possui características próprias em seus chamados, incluindo dois tipos de canto descritos pelos pesquisadores. Essas diferenças bioacústicas ajudaram a separar a nova espécie de parentes próximas.

Encontrar o animal em campo, porém, não é simples. Segundo um dos pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil, a rã costuma vocalizar no alto de árvores próximas a riachos e principalmente durante chuvas intensas. Somados ao tamanho reduzido e à distribuição aparentemente esparsa, esses hábitos dificultam bastante sua localização.

Ovos ficam sobre folhas e girinos caem no riacho

O comportamento reprodutivo também chama atenção. Os casais depositam ovos sobre folhas localizadas acima dos cursos d’água. O macho permanece próximo à postura e, quando os girinos nascem, eles caem no riacho abaixo, onde podem se enterrar no sedimento.

Esse tipo de ciclo está associado às matas úmidas que acompanham riachos e rios dentro do Cerrado. A nova espécie é conhecida em localidades de Luziânia e representa a segunda rã-de-vidro conhecida como endêmica do Cerrado, segundo o estudo.

Ainda se sabe pouco sobre quantos indivíduos existem

Os pesquisadores propuseram que a espécie seja considerada inicialmente como Dados Insuficientes, categoria usada quando ainda não existem informações suficientes para determinar adequadamente seu risco de extinção. Ainda faltam dados sobre o tamanho da população, distribuição e ameaças enfrentadas pelo animal.

A preocupação é relevante porque as matas de galeria dependem diretamente da disponibilidade de água. Alterações no regime de chuvas, desmatamento e modificações nos rios podem afetar habitats usados por anfíbios desse tipo.

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