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Planeta com menos de 1 milhão de anos é o mais jovem já conhecido pela ciência

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Astrônomos confirmaram a existência de um planeta com menos de 1 milhão de anos, tornando-o o mundo mais jovem desse tipo conhecido até hoje. Batizado de Elias 2-24 b, o planeta ainda está em processo de formação, mergulhado no disco de gás e poeira que circunda sua estrela.

A descoberta chama atenção não apenas pela idade extremamente baixa. Elias 2-24 b também parece ter se formado muito mais rapidamente — e muito mais longe de sua estrela — do que os modelos atuais conseguem explicar com facilidade.

O sistema está localizado a aproximadamente 450 anos-luz da Terra. O planeta possui massa estimada entre 1,9 e 4 vezes a de Júpiter e orbita sua estrela a cerca de 55 unidades astronômicas, ou aproximadamente 55 vezes a distância entre a Terra e o Sol.

‘Recém-nascido’

Antes da confirmação de Elias 2-24 b, os planetas mais jovens conhecidos tinham mais de 5 milhões de anos. Essa diferença é importante porque os modelos de formação planetária já tinham dificuldade para explicar até mesmo esses recordistas anteriores.

Segundo pesquisadores envolvidos no estudo, um planeta do tamanho de Júpiter levaria cerca de 5 milhões de anos para se formar à distância em que Júpiter está do Sol e, em teoria, o processo deveria levar ainda mais tempo em regiões muito mais afastadas.

Elias 2-24 b, no entanto, está muito mais distante de sua estrela e tem menos de um quinto dessa idade. Isso indica que alguns processos importantes de formação de planetas gigantes podem ainda estar ausentes ou incompletos nos modelos usados atualmente pelos astrônomos.

Escondido em uma “falha” no disco

A história da descoberta começou anos atrás. Observações feitas pelo radiotelescópio ALMA, no Chile, mostraram uma espécie de lacuna no disco de gás e poeira que circunda a jovem estrela Elias 2-24. Esses espaços despertam interesse porque planetas em formação podem abrir caminhos no material ao redor da estrela enquanto crescem.

Posteriormente, o Very Large Telescope, também no Chile, detectou um pequeno ponto luminoso exatamente dentro dessa região. A dúvida era saber se aquilo realmente era um planeta ou apenas algum efeito das observações.

Pesquisadores então recorreram ao arquivo do Observatório W. M. Keck, no Havaí, e encontraram registros do mesmo objeto feitos em 2018 e 2020. Ao comparar sua posição ao longo do tempo, a equipe constatou que o ponto luminoso se comportava como um planeta orbitando a estrela — e não como uma estrela distante ao fundo ou um defeito da imagem.

Astrônomos conseguem observar um planeta enquanto ele cresce

O mais interessante é que Elias 2-24 b não é apenas jovem: ele ainda está acumulando material do disco ao seu redor. A observação oferece aos cientistas uma oportunidade rara de acompanhar uma etapa muito inicial da formação planetária.

Encontrar mundos assim é difícil porque planetas recém-formados ficam envolvidos por grandes quantidades de poeira e gás. Por isso, a enorme maioria dos milhares de exoplanetas conhecidos possui bilhões de anos e já está em sistemas muito mais maduros.

A confirmação de Elias 2-24 b permite, portanto, observar algo semelhante a uma fotografia dos primeiros momentos de um sistema planetário.

Descoberta pode mudar modelos de formação planetária

Segundo os pesquisadores, estudar outros planetas tão jovens poderá ajudar a entender como gigantes gasosos conseguem se formar tão rapidamente.

O trabalho estima que Elias 2-24 b tenha entre 1,9 e 4 massas de Júpiter, embora sua massa continue sujeita a refinamentos conforme novas observações forem realizadas.

Novos telescópios e instrumentos de alta resolução também devem ampliar esse tipo de descoberta. A expectativa é que sistemas planetários que hoje estão no limite da capacidade de detecção possam ser observados com muito mais facilidade nos próximos anos.

Elias 2-24 b, portanto, não chama atenção apenas por quebrar um recorde. Ele oferece aos astrônomos algo muito mais raro: a oportunidade de observar um planeta enquanto ele ainda está nascendo.

Fontes: NASA Science e estudo liderado por Andrea Bernardi e colaboradores

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